Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Austin Butler brilha em "Ladrões", um Aronofsky menos sisudo, mas ainda impactante

Por Reinaldo Glioche

“Ladrões”, péssimo título nacional para “Caught Stealing”, parece um corpo estranho na filmografia de Darren Aronofsky. O filme guarda semelhanças estéticas, temáticas e narrativas com a obra de figuras como Guy Ritchie e os irmãos Coen; ainda assim, Aronofsky imprime algumas características do seu cinema que tornam esta incursão mais comercial, também expressão autoral.

O longa, adaptado da obra homônima de Charlie Huston pelo próprio autor, acompanha Hank Thompson, um magnético Austin Butler, que se vê inesperadamente envolvido em uma luta pela sobrevivência no submundo criminoso da cidade de Nova York após, a contragosto, ficar com os cuidados do gato de seu vizinho Russ (um salutar Matt Smith). O corpo de Hank, assim como os dos protagonistas de “Cisne Negro”, “O Lutador” e “A Baleia” é frequentemente brutalizado. Antes mesmo da meia hora de filme, Hank precisa remover um rim após uma surra tomada por dois capangas que procuravam Russ.

Atordoado, o jovem, um ex-prospecto do baseball que teve sua carreira abreviada em virtude de um acidente, tenta entender o que raios está acontecendo. Nessa corrida para retomar a normalidade de sua vida, ele trafega por uma fauna de personagens excêntricos e cativantes. De gangsters judeus – vividos com brio e graça por Liev Schreiber e Vicent D´Onofrio, a um matador latino chamado Colorado vivido pelo cantor Bad Bunny, “Ladrões” se embevece de suas figuras esquisitas e com elas dá combustão a conflitos que frequentemente revelam surpresas.

Aronofsky parece se divertir bastante na condução de uma trama elétrica, banhada na nostalgia dos anos 90 e que encontra em Butler um ímã e tanto. Os diálogos rápidos dão uma vibração particular ao filme, que se metamorfoseia de comédia de ação em thriller violento com habilidade e que enquadra a circunstância enfrentada por Hank como um chamamento ao amadurecimento emocional.

“Ladrões” é um filme punk-rock no sentido de que é ágil e bem desenvolvido, amplo, mas específico e dono de uma energia muito própria. A química entre Smith e Butler é mimética nesse sentido. Aronofsky afasta a pretensão das obras como “Noé” e “Fonte da Vida”, mas não deixa de lado o vigor narrativo impresso naquelas obras. Não se trata de fazer um cinema menos sério, “Ladrões” é, além de envolvente, bastante sério, com momentos realmente sombrios, mas o filme recepciona, sim, um Aronofsky menos sisudo. Pode ser o início de uma nova e prolífera fase de sua carreira.

Foto: Divulgação

Isso pode te interessar

Arquitetura & Urbanismo

Primeira Bienal brasileira aposta em identidade e contexto para repensar o espaço construído

Reportagens

Comemorações dos 50 anos da Funarte fortalecem a Cultura do Brasil

Cinema

Aos 100 anos, Odeon representa resistência do cinema de rua no Rio

Questões Políticas

Caiado é prenúncio da direita que flerta com o pós-bolsonarismo

Newsletter Gratuita

Tenha o melhor da cultura na palma da sua mão. Assine a newsletter gratuita de Culturize-se. Todos os dias pela manhã na sua caixa de e-mail.