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"Ninguém Quer" mantém bom nível do 1º ano, mas volta mais madura

Por Reinaldo Glioche

Não há no ar série mais gostosinha de se assistir do que “Ninguém Quer” (“Nobody Wants This”, no original). Assim mesmo, gostosinha. Criada por Erin Foster a partir de suas próprias experiências, a produção da Netflix, cujo segundo ano foi lançado na semana passada, é daquele tipo aconchegante, mas que traz discussões maduras e oportunas a respeito de relações afetivas, amor próprio e como conciliar as expectativas familiares com as suas próprias. Tudo isso ainda fazendo rir e, ocasionalmente, emocionar.

Nesta nova temporada, Noah (Adam Brody) e Joanne (Kristen Bell) estão se descobrindo como casal. Da identidade aos anseios, passando por toda a confusão que isso acarreta. Ainda que a fase lua de mel atenue os efeitos. Mas eles estão lá e a série os aborda com respeito e precisão, sem pender para um lado ou outro. É bem verdade que composição de homem ideal de Noah, tão elogiada na primeira temporada por mulheres mundo afora, teve que retroagir um pouquinho para que novos conflitos – e conflitos antigos – pudessem ganhar espaço. Mas nada que descaracterizasse o personagem.

Fotos: Divulgação

A questão da conversão de Joanne ao judaísmo ganha mais peso no novo ano e funciona como ponto de inflexão para diversas questões do relacionamento que a série se endereça muito bem. A produção também abre espaço para os carismáticos personagens que gravitam o casal principal. O irmão de Noah, Sasha (Timothy Simons) começa a perceber que seu casamento com Esther (Jackie Tohn) talvez não esteja tão bem quanto aparenta. Já a irmã de Joanne, Morgan (Justine Lupe) aparece com um namorado do nada, dando pistas de que a atitude intempestiva talvez denote de uma rivalidade adormecida.

A série propõe, ainda, mais interações com os pais dos protagonistas, muitas delas respondendo pelos momentos mais engraçados, no sentido cringe, do programa.

O elenco continua como o traço mais forte da produção. A química de Brody e Bell é das mais robustas e os dois atores estão ainda mais à vontade nos papeis, aferindo graciosidade, mas sem prescindir do necessário relevo dramático que faz com que “Ninguém Quer” funcione tão bem.

A arma secreta da série, porém, continua sendo Justine Lupe, que depois de fazer figuração de luxo em “Succession”, encontrou aqui um papel à altura de seu ótimo talento cômico. Como a tresloucada Morgan, ela impulsiona a série para além de seus já muitos predicados conciliando profundidade a deboche em um raro – e difícil – equilíbrio.

Muitos podem achar que a segunda temporada termina no mesmo esquadro da primeira. É uma leitura incorreta. Ainda que os personagens, como todos nós, repisem equívocos, reavaliem escolhas e vivam um turbilhão de emoções, algumas repetidas, outras estranhas, o desfecho desse novo ciclo sugere um tipo de comprometimento, tanto de Noah como de Joanne, distinto daquele que foi tateado no fim do primeiro ano. E está justamente aí não apenas a grande beleza de “Ninguém Quer”, mas o fascínio do que é estar apaixonado.

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