Por Reinaldo Glioche
Existe um filão dentro da obra de Stephen King que se vale de cenários distópicos para versar sobre a natureza humana e suas circunstâncias em situações limite. É nessa composição que figura “A Longa Marcha”, filme baseado no livro homônimo do escritor, que acompanha jovens dos 50 estados dos Estados Unidos que participam de um concurso em que o vencedor ganha uma fortuna inimaginável, enquanto todos os outros são mortos. É literalmente caminhar ou morrer.
Francis Lawrence, principal mente criativa por trás da adaptação dos livros da franquia “Jogos Vorazes” para o cinema, parece o nome certo para tocar a empreitada. A premissa é simples, mas possibilita muitas inflexões existenciais, principalmente a partir da dinâmica entre os personagens.
Nesse sentido, um grande trunfo do filme é contar com Cooper Hoffman (sim, o filho do genial e inesquecível Philip Seymour Hoffman) e David Jonsson (um ator que desde sua participação na série “Industry” nos impele a observá-lo de perto) como protagonistas. Com desenvoltura de veteranos e carisma de sobra, os dois atores seguram o interesse pela obra, de orçamento limitado, e na unha dimensionam toda a tensão necessária para conectar a audiência àquele universo elaborado na medida necessária para que todos entendam se tratar de uma distopia – ainda que incrivelmente similar a nosso tempo.
Solidariedade, vingança, crueldade, amor e resiliência são conceitos bem emulados pela obra e tangenciados nas visões de mundo relativamente distintas dos protagonistas e é nessa justaposição, que culmina no espetacular e nada concessivo desfecho. É a partir dos efeitos que ele provoca, nos personagens, mas também na audiência, que “A Longa Marcha” se consolida como o petardo que sua premissa sugere.
