Redação Culturize-se
A literatura não precisa escolher entre a tradição do papel e as possibilidades do mundo digital. É a partir dessa perspectiva que a Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto) prepara sua 21ª edição, marcada para 12 a 15 de novembro, no Recife. Sob o tema “Raízes em papel, sonhos em bytes”, o evento amplia sua presença pela cidade e estabelece uma parceria inédita com o Rec’n’Play, festival de inovação e tecnologia que acontece no mesmo período.
Idealizada por Antônio Campos, que também responde pela coordenação-geral e pela curadoria literária, a Fliporto estreou em 2005, em Porto de Galinhas, no Litoral Sul pernambucano. Mais de duas décadas depois, mantém a proposta de aproximar leitores, escritores e diferentes manifestações culturais. “A literatura tem esse poder atemporal, de renovar, de ser atual. E a Fliporto sempre está no tempo presente”, afirmou Campos durante o pré-lançamento da edição de 2026.
O Gabinete Português de Leitura de Pernambuco, no bairro de Santo Antônio, será a sede principal do festival e receberá 15 mesas literárias. A programação também ocupará outros espaços culturais, entre eles o Instituto Dom Hélder Câmara, o Instituto Cervantes e a Livraria Jaqueira, no Bairro do Recife. Neste último endereço, a parceria com o Rec’n’Play prevê debates entre 11 e 14 de novembro sobre inteligência artificial, permanência do livro impresso, leitura e expansão dos audiolivros.
A agenda inclui ainda iniciativas voltadas à democratização do acesso à literatura. Em parceria com o Ministério da Educação, a Fliporto apresentará a plataforma gratuita MEC Livros, com totens instalados no Gabinete Português de Leitura e na Livraria Jaqueira. A organização também prevê anunciar a Biblioteca Digital de Pernambuco, inicialmente voltada a obras de domínio público, com possibilidade de incorporar títulos disponibilizados por outros autores e participantes.

Na programação literária, o destaque será a homenagem póstuma a Marcus Accioly (1943-2017), poeta pernambucano nascido em Aliança, na Mata Norte. Uma plaquete com um capítulo de uma obra inédita do escritor, atualmente em revisão, será lançada durante o festival.
As artes visuais também terão espaço na segunda edição da Fliportoarte, realizada na Galeria Janete Costa, no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem. Com o tema “Vento”, a mostra homenageará Ana Lira, artista visual e sonora, pesquisadora e editora natural de Caruaru. A programação prevê 48 expositores e uma obra produzida pela homenageada em parceria com agricultoras do Espaço Agroecológico de Setúbal.
Outras iniciativas incluem o Fliporto Cordel, dedicado à tradição da literatura popular, e o projeto Fliporto Conecta, concebido para divulgar e comercializar arte contemporânea em ambiente digital. A proposta de um Museu de Arte de Rua de Pernambuco também integra os planos do evento.
Ao distribuir atividades por diferentes territórios e aproximar linguagens artísticas, a Fliporto busca reafirmar a literatura como espaço de encontro entre memória, inovação e participação cultural.