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Em "Guerra", divórcio milionário vira uma guerra sem piedade nos tribunais britânicos

Redação Culturize-se

Dominic West tem experiência em interpretar homens que não conseguem reconhecer a própria responsabilidade pelos problemas que enfrentam. De Jimmy McNulty, de “The Wire”, ao príncipe Charles, em “The Crown”, seus personagens frequentemente reagem às consequências dos próprios atos com indignação e perplexidade. Em “Guerra”, nova série criada por George Kay, o ator retoma essa característica na pele de Morgan Henderson, um magnata da tecnologia prestes a enfrentar um divórcio milionário.

Casado com Carla Duval (Sienna Miller), atriz de primeira grandeza cuja carreira começa a perder fôlego, Morgan vive uma relação desgastada. A separação, porém, ganha outra dimensão quando ele conhece uma mulher durante um jantar de premiação e dá início a um envolvimento extraconjugal. O episódio desencadeia uma disputa que promete se tornar o maior julgamento de divórcio da história britânica.

A série acompanha o confronto entre dois escritórios de advocacia londrinos. Morgan contrata a tradicional Cathcarts, comandada pelo intimidador St. John Smallwood ( um excepcional Pip Torrens), enquanto Carla recorre à Taylor & Byrne, firma contemporânea dirigida pelo casal Serena (Phoebe Fox) e Nick (James McArdle). A diferença entre os ambientes, dos interiores revestidos de madeira escura às paredes de vidro, ajuda a estabelecer identidades distintas para os adversários.

Criada por George Kay, responsável também por “Lupin” e “Hijack”, a produção investe em reviravoltas, documentos reveladores, testemunhas inesperadas e disputas internas. A trama acompanha ainda Johnny (Archie Renaux), jovem advogado que retorna de Nova York em busca de trabalho e acaba envolvido nos dois lados do conflito.

O principal motor dramático, entretanto, está na transformação de uma separação em guerra aberta. Apesar do desgaste conjugal, Morgan e Carla preservam sentimentos e precisam considerar o impacto da ruptura sobre o filho dela, com quem Morgan mantém uma relação afetuosa. Para os advogados, contudo, a destruição do adversário parece mais importante do que qualquer tentativa de preservar vínculos.

Foto: Divulgação

É nesse contraste que “Guerra” encontra sua principal tensão. A crueldade dos profissionais oferece momentos de humor ácido e entretenimento, mas nem sempre combina com a abordagem mais sensível do sofrimento do casal. A série oscila entre o drama humano e a sátira das disputas jurídicas, sem explorar completamente as possibilidades de nenhum dos extremos. Ainda assim, diverte horrores!

O elenco sustenta uma narrativa envolvente, que combina sofisticação formal e apelo popular. Entre ambição, ressentimento e lealdades abaladas, “Guerra” mostra como um divórcio pode deixar de ser o fim de um casamento para se tornar o começo de uma batalha em que ninguém parece disposto a estabelecer limites.

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