Redação Culturize-se
Casa própria, escritório de prestígio e aliança no dedo deixaram de ser os principais marcos de identidade da Geração Z. É o que sugere a edição Brasil do relatório Culture Next, do Spotify, produzido com a GlobalWebIndex em 2026. Segundo o estudo, esses jovens constroem quem são a partir do que amam: fandoms, hobbies e conteúdos que não conseguem parar de consumir.
Três em cada cinco integrantes da geração na plataforma dizem que seus fandoms são parte essencial de sua identidade, e 70% afirmam que o tempo no Spotify é bem aproveitado. O relatório acompanha três fases: adolescência (14 a 18 anos), jovens adultos (19 a 23) e jovens profissionais (24 a 29).
Em busca de controle num mundo imprevisível, a geração recorre a academia e games para criar rotina, comunidade e autonomia. A academia ocupa o espaço que as cafeterias tiveram para os millennials, e os games são o principal interesse dos adolescentes no mundo. No Brasil, 76% dos jovens profissionais associam fitness ao autoaperfeiçoamento, e não só à saúde. Anime, trap e funk brasileiro lideram o consumo em treinos, games e esportes. A cultura da “aura”, ligada à busca por confiança e presença, fez triplicar as playlists com o termo, como “Auraxmaxxing” e “Aurafarming”, entre abril de 2025 e março de 2026.
Na busca por autenticidade, em meio à enxurrada de conteúdo gerado por IA, o formato importa menos que a presença de rostos e vozes reais. Entre os mais jovens da geração, três em cada cinco streams de podcasts são em vídeo, e a participação do formato cresceu 75% em 18 meses no Brasil. Entre os brasileiros da Geração Z, 80% assistem a podcasts para se aprofundar em temas de interesse e 63% para se sentirem menos sozinhos. Um em cada três diz que a interação com criadores é mais pessoal no Spotify do que nas redes.

O relatório também aponta um uso emocional do conteúdo. Em momentos de incerteza, 33% da geração na plataforma recorre a true crime, terror ou paranormal, conteúdos 43% mais procurados que religião e espiritualidade e 50% mais que autoajuda. No Brasil, a comédia lidera, mas os conteúdos sinistros superam as demais opções ligadas a bem-estar. A motivação muda com a idade: curiosidade na adolescência, processamento da ansiedade entre jovens adultos (81% mais propensos a recorrer ao gênero que os mais novos) e fuga entre jovens profissionais.
Sem a comunidade que gerações anteriores encontravam em repúblicas ou na rotina de trabalho, a Geração Z busca grupos de corrida, clubes do livro e shows, e o fandom dura semanas antes e meses depois do evento. Dois em cada três dizem que o Spotify torna a experiência de fã mais envolvente. Um exemplo prático: O anúncio da volta do Oasis, banda separada havia décadas, elevou os streams da geração a 3,3 vezes o nível habitual em uma semana e manteve o interesse 30% acima por 16 meses.