Redação Culturize-se
A presença de mulheres é um dos destaques da programação principal da 72ª Feira do Livro de Porto Alegre, que será realizada entre 30 de outubro e 15 de novembro, na Praça da Alfândega. A edição de 2026 reúne nomes como Aline Bei, Monja Coen, Márcia Tiburi e Rita Von Hunty e tem como patrona Heloisa Pires Lima, escritora, antropóloga e educadora e primeira mulher negra a ocupar o posto na história do evento.
Sob o conceito “Essência que faz histórias”, a Feira também amplia sua programação internacional, com convidados como Filipa Fonseca da Silva, Laura Ortiz Gomez, Hanan Kattan, Moshtari Hilal, Neige Sinno, José Eduardo Agualusa, Ernesto Picco e Afonso Cruz. Os encontros abordarão literatura, memória, identidade, política, cultura e diferentes questões do presente.
Para Roseni Siqueira Kohlmann, presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, a diversidade é parte da proposta de transformar a Feira em um espaço de encontro entre diferentes experiências e formas de pensar. Segundo ela, a intenção é aproximar o público de autores e ideias capazes de permanecer para além do período do evento.
A programação principal começa em 31 de outubro, com o encontro “A Literatura Poética como forma de resistência”, que reúne Aline Bei e a escritora Julia Dantas. Autora de “O peso do pássaro morto”, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, e “Pequena coreografia do adeus”, finalista do Prêmio Jabuti, Bei desenvolveu uma escrita marcada pelo diálogo entre prosa, poesia e ritmo. A conversa discutirá como a literatura pode elaborar experiências, tensionar silêncios e ampliar possibilidades de expressão.

Outro destaque será “Palavras para acalmar o mundo”, com Monja Coen e mediação da jornalista Tânia Carvalho. A partir de sua trajetória como jornalista e monja zen-budista ordenada no Japão, Coen abordará questões relacionadas ao tempo presente, aos afetos, à convivência e à capacidade de recomeçar, aproximando espiritualidade e cotidiano.
As experiências negras também ganham espaço com o painel “Vamos falar sobre empoderamento racial?”, que reunirá Stefano Volp e Eliseu Banori, com mediação de Eduardo Peixoto. A discussão parte de “Santo de casa” e “Numa manhã de junho” para tratar de vulnerabilidade, afetividade, estereótipos associados ao homem negro e experiências marcadas por diferentes contextos históricos e territoriais.
No campo internacional, o painel “Palestina Revelada”, marcado para 2 de novembro, reunirá Hanan Kattan, Mariana Dawas e Nanni Rios. A discussão parte do livro homônimo de Kattan, publicado no Brasil pela Carta Editora, e abordará memória, território, narrativa histórica e deslocamento. A autora, produtora cinematográfica e comunicadora, estará em Porto Alegre para o lançamento da primeira tradução da obra para outro idioma, seguida de sessão de autógrafos.
A programação inclui ainda nomes como Elisa Lucinda, Jessé Souza, Cidinha da Silva, Noemi Jaffé, Nei Lopes, Marcelino Freire, Milly Lacombe, Clóvis de Barros Filho e Jefferson Tenório. Autores também participarão de encontros com estudantes, enquanto o público infantil e juvenil terá atividades específicas, incluindo uma agenda inédita dedicada ao universo dos animes.
A edição de 2026 procura reforçar a vocação da Feira como espaço de circulação de ideias. Ao reunir diferentes gerações, nacionalidades e campos de atuação, o evento aproxima literatura, pensamento, comportamento e questões sociais, mantendo a Praça da Alfândega como ponto de encontro entre livros, autores e leitores.