Redação Culturize-se
Uma casa na Rua Groenlândia, no Jardim Europa, na capital paulista, se transforma em território de arte durante a sexta edição da Mostra Contemporâneas Vivara. Batizada de “Que afeto é esse?”, a exposição reúne 16 artistas mulheres e fica em cartaz até 25 de outubro, com entrada gratuita mediante reserva pelo site contemporaneasvivara.com.br.
A proposta da mostra é expandir o sentido da palavra que dá título à exposição. Mais do que o vínculo entre duas pessoas ou um sinônimo de sentimento, o afeto é tratado como uma força de transformação — aquilo que altera a forma como as pessoas percebem o mundo, agem e se relacionam. As obras reunidas atravessam temas como memória, desejo, cuidado, pertencimento, solidão, tecnologia e diferentes formas de vínculo, buscando dar visibilidade ao que costuma operar por baixo da superfície do cotidiano.

Entre as artistas estão nomes de projeção internacional, como a sérvia Marina Abramović, conhecida por performances que expõem o corpo a situações-limite, a holandesa Janet Vollebregt e a argentina Graciela Sacco. A mostra também traz duas participações especiais: obras da escultora modernista brasileira Maria Martins (1894–1973), que teve carreira internacional ao lado de Marcel Duchamp, e um retrato inédito de Tarsila do Amaral, fotografado em Paris em 1921, às vésperas da Semana de Arte de 22 — a imagem, doada por um amigo da artista em 1972, serviu ainda de inspiração para um trabalho inédito criado especialmente para a mostra pela artista Thix.
Quem recebe o público é Maria, uma escultura-móvel humanoide criada pela artista D’Anunziata. A obra não usa inteligência artificial nem aprendizado de máquina — seus movimentos foram coreografados previamente — e nasceu de reflexões sobre a convivência entre humanos e máquinas, propondo uma pergunta central: como compreender aquilo que afeta os seres humanos?
A curadoria da mostra é difusa, orquestrada pela diretora artística Stefania Dzwigalska em parceria com um time de especialistas. A pesquisa sobre o tema da exposição foi conduzida por Stefania junto com D’Anunziata, a consultoria artística é assinada por Marc Pottier, e a programação paralela tem curadoria de Giuliana Bergamo, com apoio da Casa do Saber.
É justamente essa programação paralela — gratuita e com vagas limitadas, mediante inscrição prévia no site da mostra — que amplia o alcance da exposição para além das obras expostas. Uma das novidades da edição é o formato de visitas guiadas conduzidas por professores da Casa do Saber, que compartilham com o público leituras das obras a partir de seus próprios campos de conhecimento, como psicanálise, teologia e urbanismo. Participam do ciclo nomes como Christian Dunker, Ed René Kivitz, Giselle Beiguelman, Luís Fernando Tófoli, Catharina Doria, Joice Berth, Hanna Limulja, Ingrid Gerolimich e Geni Núñez, com encontros distribuídos entre 24 de setembro e 18 de outubro. Para quem não conseguir vaga nas visitas presenciais, também estará disponível um roteiro guiado por áudios gravados pelos próprios professores.

Outra frente da programação é o ciclo “Afetadas”, que reúne escritoras contemporâneas em diálogos sobre literatura, arte e os afetos que atravessam o presente, a partir da leitura de textos próprios e de autoras como Clarice Lispector, Hilda Hilst e Lygia Fagundes Telles. São sete encontros de duas horas, mediados pela jornalista e curadora da programação Giuliana Bergamo, com participação de escritoras como Aline Bei, Andrea Del Fuego, Amara Moira, Bianca Santana, Cidinha da Silva, Mel Duarte, Natalia Timerman, Natália Zuccala, Paulliny Tort, Liana Ferraz, Mariana Salomão Carrara, Isabela Noronha, Gabriela Aguerre e Veronica Stigger.
A programação inclui ainda apresentações artísticas: três sessões da performance “Afé”, da multiartista Tatt, que propõe um contato íntimo com a fé como força feminina e transformadora, e a palestra-performance “A vergonha da vergonha: o que é ser uma pessoa”, da escritora e pesquisadora Sofia Nestrovski, que cruza ciência e arte para pensar o que nos torna humanos.
Criada em 2020, a Mostra Contemporâneas Vivara já passou por nove cidades brasileiras e reuniu mais de 60 artistas em edições que ocuparam ruas, fachadas, ciclovias, parques e instituições culturais. Nesta sexta edição, ao ocupar uma casa como espaço expositivo, a mostra mantém o objetivo de aproximar a arte do cotidiano e ampliar o acesso à produção contemporânea feita por mulheres.

Serviço
“Que afeto é esse?” — 6ª Mostra Contemporâneas Vivara
Período: Até 25 de outubro de 2026
Local: Casa Conteúdo — R. Groenlândia, 1089, Jardim Europa, São Paulo
Funcionamento: terça a sexta, das 11h às 19h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h
Entrada gratuita, com reserva pelo site contemporaneasvivara.com.br