Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Lee Hong e as mulheres que desafiam as regras de uma Coreia em transformação

Redação Culturize-se

A literatura sul-coreana contemporânea tem encontrado nas personagens femininas um território fértil para investigar as contradições de uma sociedade marcada por expectativas, hierarquias e transformações profundas. É nesse universo que a escritora Lee Hong, autora de “A dama de Gangnam’, chega ao Brasil para participar da Bienal do Livro de São Paulo, no dia 11 de setembro, em encontros dedicados à literatura coreana e à construção de personagens femininas.

Publicado no Brasil pela VR Editora, o romance foi traduzido diretamente do coreano por Bruna Giglio. No centro da narrativa está Oh Miná, uma apresentadora de televisão de 40 anos, autora de um livro de ensaios que se tornou best-seller e moradora de Gangnam, distrito de Seul associado à riqueza, ao consumo e à ascensão social. Bonita e bem-sucedida, ela parece encarnar a imagem da mulher que alcançou aquilo que se espera dela. Essa aparente perfeição começa a ruir quando Miná passa a receber ameaças de um stalker misterioso.

O que começa como um thriller psicológico ganha progressivamente outras dimensões. O desaparecimento de seu animal de estimação, cartas anônimas, atos de vandalismo e um ataque físico transformam a vida da protagonista em um território de suspeita. Mais do que descobrir quem a persegue, porém, o leitor é levado a questionar quem é, de fato, Oh Miná.

Foto: Reprodução/Internet

A história acompanha quatro momentos distintos da vida da personagem em ordem cronológica inversa. Ao recuar no tempo, Lee Hong desmonta gradualmente a imagem pública de sua protagonista e expõe relações familiares, afetivas, maternidade, luto e conflitos relacionados às expectativas sociais. Miná não é construída como uma vítima convencional: sua personalidade moralmente ambígua torna mais complexa a fronteira entre ameaça, culpa, desejo e sobrevivência.

Nascida em Gangnam, Lee Hong utiliza o bairro como elemento estrutural da narrativa. O lugar onde cresceu deixa de ser apenas cenário e passa a representar uma sociedade competitiva, em que status, aparência e sucesso podem determinar o valor atribuído aos indivíduos. A trajetória de Miná também permite acompanhar mudanças sociais ocorridas entre o fim dos anos 1980 e a década de 2010.

A autora ganhou destaque com “Girlfriends” (2007), romance que recebeu o Prêmio Escritor do Ano e posteriormente foi adaptado para o cinema. Finalista do Korea Times Literary Award, Lee Hong também recebeu o prêmio Novos Talentos da Arte, na categoria Literatura, do Conselho de Artes da Coreia. Atualmente vivendo em Paris, ela dirige uma agência literária voltada à internacionalização da literatura feminina coreana e prepara seu próximo romance.

Na Bienal, participa da programação oficial às 13h45, na Arena Cultural. Às 19h, estará no Espaço Skeelo ao lado de Ing Lee, responsável pela capa da edição brasileira de “A dama de Gangnam”. No dia 15, na USP, a autora participa, das 10h às 12h, do encontro “Personagens femininas na ficção coreana que resistem às normas sociais”.

Isso pode te interessar

Pensar

A experiência do sentir na era da impermanência

Literatura

Lee Hong e as mulheres que desafiam as regras de uma Coreia em transformação

Radar Cultural

Na Serra da Mantiqueira, uma cidade inteira vira livro aberto

São Bento do Sapucaí (SP) transforma ruas, escolas e quintais em palco da 14ª FLIPES

Pensar

A cultura da exaustão: quando viver se transforma em desempenho

Entre a aceleração cotidiana, a prisão neurológica e a urgência de recuperar o direito à leveza

Newsletter Gratuita

Tenha o melhor da cultura na palma da sua mão. Assine a newsletter gratuita de Culturize-se. Todos os dias pela manhã na sua caixa de e-mail.