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Do crush ao autoconhecimento: a jornada emocional de Stella Lefty

Redação Culturize-se

Aos 24 anos, Stella Lefty entrega em “Long Way Home” um álbum de estreia surpreendentemente maduro, que expande a EP “Is This Heaven?” para uma jornada completa pelos primeiros e mais intensos capítulos de um novo amor. Produzido por Joe Reeves, o disco equilibra pop contemporâneo e country dos anos 2000 com uma leveza contagiante.

O disco abre com “Lean In, Kiss Me”, faixa que capta com delicadeza aquele momento em que uma amizade ameaça virar algo mais. É impossível não sorrir com a confissão nervosa e o clima brincalhão da produção. Em seguida, “Whiskey” talvez seja o momento mais genuinamente country do álbum: banjo, batida envolvente e um refrão sobre afogar mágoas que gruda na cabeça na primeira audição.

Foto: Jack Balaban

“Thinking ‘bout You” é pura paixão à flor da pele, um hino de crush escrito quase espontaneamente ao lado de Grace Enger e Sadie Jean — e essa naturalidade se sente em cada verso. “Ain’t Something I Do” desacelera o ritmo sem perder intensidade, mostrando uma Lefty mais introspectiva diante da vulnerabilidade de se entregar a alguém.

E então chega “Boston”, o grande hit do disco, que interpola “Stick Season” de Noah Kahan e transforma o ato de mergulhar de cabeça no amor em algo intrínseco e irresistível — não é à toa que a faixa disparou até o Top 10 da Billboard Hot 100. “Missing You” segue na mesma pegada emocional, capturando a saudade com uma melodia que respira e nunca soa piegas.

“I Know I Know” é o brinde etílico do disco, uma cantoria de despedida de relacionamento com humor e autoconsciência — daquelas que a gente canta alto no carro. Já “Slow Dancin'”, mais curta e intimista, funciona quase como um respiro suave no meio do álbum, um instantâneo de ternura pura.

“Forever Guy” traz um vocabulário afetivo bem-humorado sobre encontrar “aquele cara”, numa produção enxuta que deixa a voz de Lefty em primeiro plano. O ponto alto colaborativo do disco é “Something To Lose”, dueto com o namorado Vincent Mason: a química real entre os dois transparece em versos que trocam a solidão pela certeza de estar melhor a dois — um dos momentos mais sinceros do álbum.

“Good At Leaving” vira a chave para o desapego, um hino sobre lidar com o “ghosting” que equilibra mágoa e leveza sem soar amargo. “Summer You Were Mine” resgata aquele calor nostálgico de romance de verão, com melodia solar que convida à repetição. E é em “Feel Better” que o álbum revela sua camada mais emocional: aqui, Lefty deixa de lado a persona brincalhoura das faixas anteriores para expor sinceramente a sensação de estar perdida e em busca de si mesma — um dos pontos mais tocantes do disco, que prova que ela pode ser muito mais do que refrões cativantes.

Encerrando com “Why Wouldn’t We”, faixa marcada pelo banjo, o álbum termina numa nota otimista e resoluta, como quem finalmente aceita se entregar ao amor sem medo.

No todo, “Long Way Home” funciona bem justamente porque nunca tenta ser mais do que é: um relato sincero, cheio de charme e melodias instantâneas, sobre os dias incertos e emocionantes de um amor no início. Stella Lefty não reinventa o country-pop, mas domina sua fórmula com uma naturalidade rara para uma artista estreante. Sua energia contagiante, a escrita conversacional e o timbre caloroso transformam cada faixa em um pequeno diário emocional. É um álbum de estreia que cumpre exatamente o que promete: mostra uma artista ainda descobrindo sua identidade, mas já plenamente capaz de escrever singles que reverberem.

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