Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

“Delírio Tropical – Recanto” transforma a diversidade brasileira em experiência visual

Redação Culturize-se

Até 12 de outubro, o Sesc Pinheiros abriga uma exposição que procura olhar para o Brasil sem reduzi-lo a uma imagem única. “Delírio Tropical – Recanto” reúne cerca de 280 obras de aproximadamente 130 artistas de todas as regiões do país, em uma seleção que aproxima diferentes gerações, territórios e formas de produção. Com curadoria de Orlando Maneschy e curadoria adjunta de Keyla Sobral, a mostra constrói um panorama da produção visual brasileira a partir de fotografias, vídeos, pinturas, esculturas, cartazes, lambes, revistas e objetos.

A diversidade regional é um dos principais eixos da exposição. Entre os artistas participantes, 36% são do Sudeste, 28% do Norte, 19% do Nordeste, 9% do Centro-Oeste e 6% do Sul, além de brasileiros que desenvolvem suas trajetórias no exterior. A presença expressiva de artistas do Norte e do Nordeste amplia a representação de regiões que historicamente tiveram menor espaço nos grandes circuitos expositivos nacionais. O resultado é uma cartografia que procura apresentar diferentes experiências de país sem estabelecer uma narrativa única ou definitiva.

A seleção reúne nomes como Anna Maria Maiolino, Ayrson Heráclito, Cildo Meireles, Claudia Andujar, Dalton Paula, Denilson Baniwa, Hal Wildson, Índigo Braga, Rosângela Rennó e Karim Aïnouz, entre outros. As obras estabelecem relações entre produção histórica e contemporânea e abordam temas como identidade, memória, território, mídia e poder. A exposição parte da compreensão de que as imagens, em suas diferentes formas de circulação, participam ativamente da maneira como uma sociedade constrói suas percepções sobre si mesma.

Foto: Nilton Fukuda

“A exposição é um convite a romper com olhares estereotipados e a se abrir para experiências que nos deslocam e nos transformam”, afirma Orlando Maneschy. Para o curador, a seleção reúne artistas que observam o Brasil a partir de seus próprios territórios e utilizam a imagem como instrumento para construir discursos sobre um país diverso. A proposta, portanto, não é produzir uma representação totalizante, mas colocar em contato perspectivas diferentes e permitir que as próprias obras estabeleçam relações entre si.

A expografia acompanha esse princípio. O percurso começa em um ambiente de caráter quase ritualístico, associado à ruptura com visões cristalizadas, e conduz o visitante por núcleos dedicados a questões como identidade, memória, mídia, território e poder. Ao longo do caminho, obras de diferentes épocas e contextos são colocadas em diálogo, criando aproximações entre linguagens e experiências que não necessariamente compartilham o mesmo período histórico ou território. A montagem também incorpora elementos da cultura visual cotidiana, como capas de revistas e discos e registros documentais.

São Paulo 18 de junho de 2026 | Exposição Delírio Tropical Recanto | No Sesc Pinheiros | FOTO Nilton Fukuda

A exposição amplia ainda seu campo de atuação para a música. Uma playlist criada especialmente para “Delírio Tropical – Recanto” reúne artistas de diferentes períodos da música brasileira, aproximando nomes como Caetano Veloso, Gal Costa e Secos & Molhados de artistas contemporâneos como Letrux, Gilsons e Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo. Disponível gratuitamente no Spotify, a seleção funciona como uma extensão sonora do percurso proposto pela mostra e incorpora outras formas de construção do imaginário brasileiro.

Originalmente apresentada na Pinacoteca do Ceará, como parte do Fotofestival Solar, a exposição chega a São Paulo em formato de itinerância, com uma obra inédita de Keyla Sobral e expografia adaptada às características do Sesc Pinheiros. A montagem também integra ações educativas, visitas mediadas e atividades formativas, ampliando o contato do público com os trabalhos e com as questões levantadas pela curadoria.

Mais do que reunir artistas de diferentes regiões, “Delírio Tropical – Recanto” procura colocar em circulação diferentes maneiras de imaginar o país. Ao aproximar passado e presente, produção institucional e manifestações da cultura visual cotidiana, a mostra apresenta um Brasil atravessado por diferenças, disputas, afetos, violências, resistências e desejos.

Isso pode te interessar

Fotografia

Concurso premia fotografias de rua que flagram poesia e beleza nas cidades pelo mundo

Música

Cara Delevingne lança "Crazy, Baby" e confirma álbum de estreia

Single vem com clipe estrelado por Samara Weaving e antecede shows da artista no Brasil

Play

Fenômeno global, "Homem-Aranha: Um Novo Dia" bate recorde histórico no Brasil

Produção destroça recordes e coleciona marcas notáveis em sua carreira nos cinemas

Música

O algoritmo de Marina Sena tem Madonna, tarô e Minecraft

Newsletter Gratuita

Tenha o melhor da cultura na palma da sua mão. Assine a newsletter gratuita de Culturize-se. Todos os dias pela manhã na sua caixa de e-mail.