Redação Culturize-se
O Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte recebe, até 31 de agosto, o espetáculo “A Hora do Boi”, monólogo de Vandré Silveira que já percorreu palcos do Rio de Janeiro e São Paulo, acumulando indicações a prêmios como Shell e APTR. A montagem, dirigida por André Paes Leme e escrita por Daniela Pereira de Carvalho, chega à capital mineira em um momento simbólico: a centésima apresentação será celebrada justamente na estreia no CCBB BH, cidade onde o ator iniciou sua formação artística.
Inspirado em uma história real noticiada pelo jornal A Tarde, de Salvador, o espetáculo parte do episódio em que um boi da raça Nelore escapou de uma feira agropecuária e permaneceu desaparecido por cinco dias na capital baiana. A dramaturgia transforma o fato em uma narrativa sobre afeto, dilemas morais e espiritualidade. No palco, Vandré interpreta três personagens — Seu Francisco, o boi Chico e São Francisco de Assis — em uma performance que tensiona humanidade, animalidade e fé.
“Estou muito feliz com a oportunidade de levar ao público mineiro a história de amor e empatia de um homem e um boi que nos faz repensar nossa relação com o planeta e com todos os seres que o habitam”, afirma Vandré. O ator destaca ainda o significado pessoal da temporada: “Sou cria do CEFART, e muito me orgulho da minha formação. É muito especial cumprir essa temporada em Belo Horizonte.”

O espetáculo acompanha o dilema de Seu Francisco, capataz de um matadouro que, após criar o boi Chico desde o nascimento, descobre que terá de abatê-lo. A relação de amizade e cuidado entre os dois coloca em xeque a função do trabalhador e abre espaço para reflexões sobre empatia e transformação. “’A Hora do Boi’ busca trazer reflexões e uma possível mudança em nossas ações cotidianas em prol de maior sintonia, respeito e empatia entre todos os seres”, diz Vandré.
Com forte carga emocional e atuação visceral, “A Hora do Boi” reafirma o teatro como espaço de encontro, sensibilidade e questionamento. Agora, de volta às raízes de seu protagonista.