Redação Culturize-se
Conhecida por construir uma das identidades mais marcantes do mercado editorial brasileiro em torno do terror, suspense, fantasia e true crime, a DarkSide decidiu ampliar seu campo de atuação sem alterar a personalidade da marca original. O grupo acaba de lançar a Magnética, editora independente voltada a temas como saúde mental e emocional, comportamento, filosofia, espiritualidade e transformação humana, além de ficção e poesia.
A estreia reúne dez títulos e autores internacionalmente reconhecidos, entre eles Gabor Maté, Catherine Gildiner, Michael Backes e Yann Martel. Em entrevista concedida ao PublishNews, a diretora de estratégia editorial Raquel Moritz explicou que a nova casa nasceu para responder a demandas que ganharam força em um mundo pós-pandemia.
“A Magnética nasce de outros desejos e necessidades”, afirmou. Segundo ela, a proposta é aproximar ciência, filosofia, psicologia e espiritualidade da experiência cotidiana, evitando respostas definitivas. “Fugimos das fórmulas prontas para nos aproximarmos da elaboração das perguntas necessárias”, disse.
A estratégia também procura estabelecer distância do mercado tradicional de autoajuda, marcado por promessas de produtividade, sucesso e felicidade. Para Moritz, transformação não ocorre a partir de fórmulas universais, mas do encontro entre diferentes saberes e experiências. A curadoria pretende reunir psicólogos, filósofos, médicos, pesquisadores, escritores e artistas interessados em investigar a condição humana com profundidade.

A Magnética também amplia a estrutura do Grupo DarkSide. Segundo a executiva, a criação da editora gerou aproximadamente seis novos postos de trabalho diretos, além de movimentar uma rede de profissionais freelancers, incluindo tradutores, preparadores, revisores, designers, ilustradores e diagramadores.
Embora faça parte do mesmo grupo, a nova editora terá autonomia editorial e identidade próprias. A intenção é construir um catálogo complementar ao da DarkSide, sem abandonar a aposta em autores brasileiros. “Os autores brasileiros possuem uma visão única”, afirmou Moritz.
Entre os próximos projetos estão novas edições de romances, ensaios e memórias de Simone de Beauvoir e uma coleção de clássicos em edições bilíngues. O primeiro será “Meditações”, de Marco Aurélio, em tradução do poeta e ensaísta Guilherme Gontijo Flores, vencedor dos prêmios APCA e Jabuti de tradução.
A aposta indica que a expansão do grupo não será apenas temática, mas também editorial: criar novas comunidades de leitores sem abrir mão da curadoria que ajudou a consolidar a marca DarkSide.