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Projeto mais audacioso de Christopher Nolan, "A Odisseia" chega aos cinemas cercado de expectativas

Redação Culturize-se

Christopher Nolan não faz as coisas pela metade. Depois de conquistar sete estatuetas do Oscar com “Oppenheimer”, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, o cineasta britânico decidiu enfrentar um desafio ainda maior: transportar para as telas um dos textos fundadores da literatura ocidental, a “Odisseia” de Homero. O resultado chega aos cinemas nesta quinta-feira (16), no Brasil, depois de mais de duas décadas de amadurecimento na cabeça do diretor.

O projeto acompanha a jornada de Odisseu, rei de Ítaca, em seu retorno para casa após dez anos de Guerra de Troia — um périplo marcado por criaturas mitológicas, provações divinas e pelo desejo de reencontrar a esposa Penélope e o filho Telêmaco. Matt Damon vive o protagonista, enquanto Anne Hathaway interpreta Penélope, a rainha que resiste aos pretendentes durante a ausência do marido. O elenco reúne ainda Tom Holland como Telêmaco, além de Zendaya, Robert Pattinson, Lupita Nyong’o, Mia Goth, Charlize Theron, Jon Bernthal, Samantha Morton, John Leguizamo e Elliot Page, entre outros nomes de peso.

Fotos: Divulgação

A ambição de Nolan se traduz em escala física, não apenas narrativa. O longa foi rodado inteiramente em locações ao redor do mundo, com uso extensivo de efeitos práticos e cenários reais — marca registrada do diretor, avesso a excessos de computação gráfica. O orçamento gira em torno de US$ 250 milhões, o que torna a produção uma das mais caras na história do cinema.

Em entrevista à revista Time, Nolan revelou o cuidado obsessivo com cada detalhe da adaptação; inclusive com sequências icônicas do poema original. Ao explicar sua visão para o episódio do Cavalo de Troia, o diretor descreveu que, se o cavalo estivesse afundando na areia e prestes a ser levado pela maré, os troianos jamais acreditariam que poderia haver alguém escondido ali dentro — eles estariam resgatando o objeto das ondas e arrastando-o para dentro da cidade como um troféu, não sobre rodas, como um objeto qualquer. A fala ilustra o método do cineasta: reinventar cada marco da história a partir da lógica interna do mundo que constrói.

Em entrevista ao programa “60 Minutes”, da CBS News, Nolan detalhou como pensa a experiência do espectador durante o processo criativo. O diretor afirmou que, ao escrever, já visualiza o filme como parte do público, como alguém vivendo a história por dentro — e que, no caso de “A Odisseia”, busca colocar o espectador literalmente na proa do navio de Odisseu. Ele reforçou ainda que sempre procura contar a história a partir de um ponto de vista interno ao próprio filme, e não de fora.

O elenco e o peso físico da jornada

Para o elenco, o desafio também foi corporal. Matt Damon submeteu-se a um regime intenso de treinamento e dieta para incorporar Odisseu, reduzindo o peso e alterando hábitos alimentares para atingir uma silhueta descrita como “magra, mas forte”. O ator relembrou que, diante da magnitude do roteiro, seu primeiro impulso foi assumir apenas a própria função dentro de uma engrenagem gigantesca. Ele decidiu-se como responsável por uma área específica de um filme com inúmeros elementos em jogo simultaneamente, e confiando que o restante ficaria a cargo de Nolan.

Nolan é conhecido por cercar seus projetos de mistério, e “A Odisseia” não foi exceção: o ineditismo do enredo alimentou especulações de que o filme poderia ser, alternativamente, um drama de vampiros ou até um reboot de “Blue Thunder” — rumores que o próprio diretor depois admitiu ter achado divertidos, apesar do incômodo natural de não poder revelar do que se tratava.

Questionado sobre críticas que já circulavam antes mesmo da estreia, Nolan minimizou o impacto dessas opiniões prematuras. O cineasta afirmou que os fãs de sua obra, mesmo diante de escolhas que não seriam as que o público faria, costumam valorizar a sinceridade da tentativa de apresentar a melhor versão possível na tela e que tudo o que está ao seu alcance é fazer o filme mais honesto possível.

Com o levantamento do embargo de redes sociais, na primeira semana de julho, as primeiras reações começaram a circular — e, em sua maioria, foram entusiasmadas. A Variety definiu a obra como uma “conquista impressionante”, elogiando as atuações de Damon, Holland, Hathaway, Leguizamo, Pattinson e Nyong’o, chegando a chamá-las de possivelmente as melhores da carreira de alguns desses atores. O Rotten Tomatoes, classificou o longa como “um triunfo absoluto” e “uma realização cinematográfica coroada por um dos grandes cineastas do nosso tempo”, destacando o design de produção, as sequências de ação e a escala visual.

Mercados de previsão como Kalshi e Polymarket, que costumam monitorar a repercussão crítica antes da consolidação do Tomatometer, projetam uma nota entre 92% e 93% para “A Odisseia” — patamar que colocaria o filme entre os cinco mais bem avaliados da carreira de Nolan, ao lado de “Oppenheimer” e “Dunkirk”. Resta agora ao público confirmar, nas salas de cinema, se a odisseia de duas décadas do diretor britânico está à altura da lenda que a inspirou.

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