Por Reinaldo Glioche
Ao longos dos anos 00 e 10, Olivia Wilde se consolidou como uma das atrizes mais interessantes de sua geração. Em 2019 fez uma bem-sucedida transição para a cadeira de diretora com o drama teen “Fora de Série”. Sempre alternando participação em produções cult como “BoJack Horseman” (2014-2020) e “Babilônia” (2022), com outras de maior atenção comercial como “Rush: No Limite da Emoção” (2013) e “Cowboys & Aliens” (2011), Wilde parecia senhora de um destino reluzente em Hollywood.
Um caso extraconjungal com o popstar Harry Styles, iniciado no set de seu segundo longa como diretora, “Não Se Preocupe, Querida!” (2022), denúncias de comportamento abusivo no ambiente de trabalho e algumas declarações mal colocadas tiraram do trilho uma carreira que parecia à prova de balas.

Mas Hollywood é a terra das segundas chances e, em 2026, Wilde vem atrás da sua. Afora uma participação pontual na série “O Estúdio”, a atriz se manteve afastada da mídia por quatro anos. Em janeiro, no festival de Sundance, apresentou “O Convite”, sua nova incursão como diretora, que foi bastante elogiado. Ela também atua contracenando com Edward Norton, Penelope Cruz e Seth Rogen.
Ela também foi destaque em outro filme que causou sensação no festival de cinema independente norte-americano. Em “I Want Your Sex”, de Gregg Araki, a mente por trás de “Mistérios da Carne” (2004) e “Splendor” (1999), ela vive uma artista polêmica envolta em tramas de sexo, obsessões, traições e jogos de poder. Metalinguagens à parte, o papel exige desenvoltura de uma atriz que sabe que precisa problematizar a percepção da sua imagem para repará-la.
São dois projetos que despertam atenção tanto de um público que habituou-se a acompanhar Olivia, mas também de um espectador interessado em boas histórias adultas. Pode até ser um cinema de nicho, mas é, antes disso, um atalho para retomar o caminho que se desviou.
Em “O Convite”, cuja estreia nos cinemas brasileiros está marcada para 9 de julho, Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde) vivem um momento delicado no relacionamento. Na tentativa de atravessar mais uma noite aparentemente comum, eles recebem para jantar os vizinhos do andar de cima, interpretados por Penélope Cruz e Edward Norton. O encontro, no entanto, toma rumos inesperados e desencadeia situações cada vez mais imprevisíveis e hilárias.
Em entrevista recente, Wilde dedicou o filme à atriz Diane Keaton, uma de suas maiores inspirações e incentivadoras de sua carreira como diretora. Olivia Wilde e Diane Keaton trabalharam juntas em “O Natal dos Coopers” (2015), em que interpretaram mãe e filha. Em diversas oportunidades, Wilde destaca Keaton como uma de suas maiores referências, tanto pela carreira construída no cinema quanto pelo incentivo que recebeu para se tornar diretora. “Ela ria durante as filmagens noturnas, nos fazia gargalhar o tempo todo e passava horas conversando conosco sobre o amor. Ela me disse para manter meu coração aberto. Disse para eu dirigir. Disse para eu ser corajosa. Disse para eu continuar rindo”, relembrou Wilde em uma homenagem à veterana após seu falecimento em outubro de 2025.
Boas perspectivas
Esses filmes sugerem que Wilde está disposta a retomar sua trajetória em Hollywood, mas com uma abordagem mais madura. Ainda em 2026, ela estrela “Behemoth”, novo longa de Tony Gilroy, que deve estrear nos festivais de cinema outonais do hemisfério norte. A produção é descrita como “uma carta de amor a música nos filmes e às pessoas que as fazem”.
Olivia Wilde, talvez, possa se beneficiar enquanto artista desse hiato e construir para si uma carreira ainda mais pródiga e prestigiosa do que se anunciava. 2026 pode ser o ponto de virada.

