Redação Culturize-se
Antes mesmo da abertura oficial da 16ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba, a capital paranaense já vive a efervescência de um dos maiores eventos culturais da América Latina. Entre os dias 9 e 16 de junho, a cidade recebe a Curitiba Art Week, iniciativa que reúne galerias, museus, centros culturais, ateliês e espaços independentes em uma programação dedicada à arte contemporânea. Mais do que uma antecipação da Bienal, a semana consolida Curitiba como um importante polo artístico nacional e internacional, ampliando o diálogo entre artistas, instituições, mercado e público.
A edição de 2026 marca uma nova fase de um projeto que, desde 2013, era conhecido como Circuito de Galerias da Bienal. Rebatizada como Curitiba Art Week, a iniciativa busca fortalecer a integração entre diferentes agentes do ecossistema cultural e criar um grande percurso artístico espalhado pela cidade. Exposições, performances, visitas guiadas e encontros ocuparão bairros como Centro, Batel, São Francisco, Portão e Centro Cívico, além de levar experiências artísticas para espaços pouco convencionais, incluindo o transporte coletivo.
O início simbólico da programação aconteceu com a abertura da exposição coletiva Mapa Aberto, instalada no Palácio 29 de Março, sede da Prefeitura de Curitiba. O evento marcou também a inauguração de uma nova vocação para o edifício projetado pelo arquiteto Rubens Meister, responsável também pelo projeto do Teatro Guaíra. A partir de agora, o saguão principal da prefeitura passa a funcionar como espaço permanente para exposições abertas ao público.

Durante o lançamento da Bienal, o prefeito Eduardo Pimentel destacou a importância da articulação entre os diversos setores da cultura local. Para ele, a presença de artistas, galeristas, representantes de consulados e gestores culturais demonstra a força do ecossistema criativo da cidade e reforça o papel da cultura na formação cidadã, na geração de oportunidades econômicas e na projeção internacional de Curitiba.
Com curadoria de Kamila Bach e Vini Maia, Mapa Aberto oferece um panorama da produção artística contemporânea curitibana ao reunir artistas de diferentes gerações, linguagens e trajetórias. A mostra apresenta obras de nomes como Carlos Januário, Efigênia Rolim, Poty Lazzarotto e Rimon Guimarães, além de contar com a participação de diversas galerias que ajudam a desenhar o cenário artístico da cidade.
Entre elas está a Sève Art Galeria, que preparou uma programação especial para a Curitiba Art Week. No primeiro dia do circuito, a galeria inaugura a exposição INTERLÚDIO Sève, concebida especialmente para dialogar com o tema “Limiares”, escolhido pelas curadoras-gerais da Bienal, Adriana Almada e Teresa de Arruda.
A proposta da mostra é criar um território de suspensão entre presença e ausência, matéria e silêncio, estabelecendo um espaço em que a experiência estética se constrói a partir da interação entre obra e observador. Segundo os organizadores, o “interlúdio” funciona como um entrelugar, um campo de possibilidades em que a arte permanece aberta às interpretações do público.
Um dos destaques da exposição é a obra Abismo Azul, da artista Leila Versetti. A pintura utiliza o azul como campo de investigação sensorial e simbólica, deslocando a cor de suas associações convencionais com céu e mar para transformá-la em uma experiência de transição entre luz e escuridão, presença e desaparecimento. Em grandes dimensões, a obra convida o espectador a uma relação física e contemplativa com a pintura, aproximando-se do conceito de “obra aberta” formulado por Umberto Eco, segundo o qual o sentido da criação artística se completa na participação de quem a observa.
Além de Leila Versetti, a exposição reúne trabalhos de artistas como Luiza Burigo Volpato, Lys Áurea Buzzi, Maristela Oliveira, Nani Silveira, Orlando Azevedo, Sergio F. Rolim e Wilson Pinto. A Sève também amplia sua presença na programação da Bienal por meio da participação em Mapa Aberto, apresentando obras de Nani Silveira e Carlos Januário.
A movimentação cultural promovida pela Curitiba Art Week prepara o terreno para o retorno da Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba, que será realizada entre 14 de junho e 15 de novembro. Após um intervalo desde 2019, o evento retorna propondo reflexões sobre as profundas transformações sociais, tecnológicas e culturais que marcaram os últimos anos.
Com o tema “Limiares”, a Bienal abordará as fronteiras entre realidade e artificialidade, humano e tecnologia, natural e digital. Segundo Teresa de Arruda, a proposta busca estimular debates sobre os impactos das novas tecnologias, as mudanças nas formas de convivência e as transformações na percepção da realidade.

A programação reunirá mais de 300 artistas brasileiros e estrangeiros, incluindo participantes de países como Japão e China. As exposições ocuparão instituições como o Museu Oscar Niemeyer, o Museu Municipal de Arte, o Museu da Fotografia e o Museu da Gravura, além de outros espaços culturais em Curitiba e em cidades do interior do Paraná.
Realizada desde 1993, a Bienal de Curitiba construiu uma trajetória que a posiciona entre os principais eventos de arte contemporânea da América Latina. Ao longo de sua história, recebeu nomes de destaque internacional como Marina Abramović, Julio Le Parc, Louise Bourgeois e Cildo Meireles. Em sua nova edição, o evento reafirma a vocação de Curitiba como espaço de encontro entre diferentes culturas, linguagens e formas de pensar o mundo contemporâneo.