Redação Culturize-se
A quinta edição d’A Feira do Livro, que acontece entre os dias 30 de maio e 7 de junho na praça Charles Miller, no Pacaembu, em São Paulo, chega com uma programação robusta e ambiciosa. Com cerca de 200 atividades gratuitas ao longo de nove dias, sendo 105 na programação oficial, o festival literário paulistano consolida-se como um dos principais eventos do setor no país, reunindo autores consagrados, novos nomes da literatura e debates que dialogam com o momento político, cultural e social.
Distribuída em três palcos principais — Palco da Praça, Auditório do Museu do Futebol e Espaço Rebentos —, a programação oficial contará com 107 autores e autoras, além de atividades paralelas nos Tablados Literários, onde expositores promovem lançamentos, sessões de autógrafos e encontros com leitores. Ao todo, mais de 160 editoras, livrarias e instituições participam desta edição.
Entre os destaques internacionais, o festival reforça sua vocação latino-americana ao receber nomes como a colombiana Pilar Quintana, além de escritores de países como Chile, Argentina e Uruguai. A presença europeia e norte-americana também marca a programação, com autores como o italiano Sandro Veronesi, o botânico Stefano Mancuso, o jornalista Charles Duhigg e o historiador português Rui Tavares.
A literatura brasileira aparece com forte representatividade, reunindo desde nomes consagrados como Ana Maria Machado, Silviano Santiago e Nei Lopes até autores contemporâneos e vozes emergentes, como Jeferson Tenório, Giovana Madalosso e Ian Uviedo. A diversidade de estilos e gerações é uma das marcas do evento, que busca refletir o momento atual da produção literária.
A programação também dialoga com temas contemporâneos relevantes. Em ano eleitoral, o festival abre espaço para o jornalismo e o debate público, com participação de veículos independentes, podcasts e jornalistas que discutem política, economia e cultura. Entre os destaques estão gravações ao vivo de programas como Foro de Teresina e 451 MHz, além de debates promovidos pela Folha de São Paulo.

Outro eixo importante é a presença de discussões sobre identidade, cultura afro-brasileira e pensamento indígena, com autores como Daniel Munduruku e Daniela Catrileo. Questões como desigualdade, meio ambiente, consumismo digital e educação midiática também integram a programação, ampliando o escopo do festival para além da literatura.
A agenda inclui ainda atividades que aproximam o público do universo do livro, como clubes de leitura, oficinas e debates sobre o mercado editorial. Eventos como o Mapa das Livrarias de Rua e encontros com livreiros independentes reforçam a proposta de estimular o hábito da leitura e valorizar a cadeia produtiva do livro.
Entre os momentos mais aguardados estão apresentações híbridas, como a versão pop-up do espetáculo “O céu da língua”, de Gregorio Duvivier, além de encontros que misturam literatura e outras linguagens, como futebol, música e artes visuais. A tradicional partida de futebol entre autores também retorna à programação, aproximando ainda mais o público dos convidados.
A organização aposta na combinação entre programação diversificada e acesso facilitado para ampliar o alcance do evento. Uma plataforma digital inédita permitirá ao público acompanhar a programação, salvar atividades e explorar os expositores, enquanto a cobertura de parceiros de mídia deve ampliar a visibilidade nacional do festival.
Com público de mais de 84 mil pessoas na edição anterior, a expectativa é de crescimento em 2026, impulsionada pelo feriado prolongado de Corpus Christi e pela coincidência com a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, que atrai turistas de todo o país.
Ao ocupar o espaço público com literatura, debates e convivência, A Feira do Livro 2026 reafirma seu papel como um dos principais pontos de encontro entre autores, leitores e o mercado editorial brasileiro, projetando tendências e fortalecendo o setor cultural.