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Sandra Cinto e o espaço em travessia

Redação Culturize-se

A Casa Triângulo inaugura, no sábado (28), em São Paulo, a exposição “Dois Infinitos”, 11ª individual de Sandra Cinto na galeria. A mostra reúne um conjunto inédito de trabalhos que aprofundam temas recorrentes na trajetória da artista, como deslocamento, horizonte, travessia e a construção poética do espaço. A exposição é acompanhada por textos críticos de Josué Mattos e Priscyla Gomes.

O eixo central da mostra é um grande biombo circular, concebido especialmente para a ocasião. Tradicionalmente associado à ideia de divisão e passagem, o biombo é ressignificado por Cinto como dispositivo de transição entre territórios físicos e imaginários. A estrutura circular reforça a noção de continuidade, dissolvendo fronteiras entre começo e fim e ampliando a experiência espacial do visitante.

Com superfície dourada, a obra dialoga com investigações recentes da artista em torno da luz e da transcendência. O dourado, recorrente em sua produção, surge não como elemento decorativo, mas como campo simbólico ligado ao sagrado e à permanência. Ao envolver o público em um ambiente curvo e contínuo, o trabalho transforma o espaço expositivo em uma experiência imersiva, marcada pela sobreposição de paisagens e pela diluição de limites.

Foto: Divulgação/Sandra Cinto

Segundo Josué Mattos, a produção de Sandra Cinto articula, ao longo de mais de três décadas, forças que transitam entre obscuridade e luminosidade, criando um campo sensível onde o desenho atua como gesto de passagem entre o visível e o imaginado. Na exposição, essa dinâmica se manifesta em composições que evocam constelações, formações rochosas e paisagens oceânicas, organizadas como um fluxo contínuo.

Conhecida por suas intervenções murais de grande escala, a artista amplia o desenho para além do suporte tradicional, ocupando a arquitetura com linhas que sugerem movimento e profundidade. Em “Dois Infinitos”, o biombo sintetiza essa prática ao operar simultaneamente como pintura, escultura e instalação.

Além da peça central, a mostra apresenta obras em diferentes formatos que expandem a atmosfera proposta, reforçando a relação entre repetição, paisagem imaginária e experiência sensorial. O conjunto reafirma a pesquisa de Sandra Cinto sobre o espaço como território em constante transformação.

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