Redação Culturize-se
A cerimônia do Oscar de 2026 registrou um momento histórico quando a diretora de fotografia Autumn Durald Arkapaw venceu o Oscar de Melhor Fotografia por seu trabalho em “Pecadores”. Com a vitória, Arkapaw tornou-se a primeira mulher negra — e a primeira mulher de qualquer origem racial — a conquistar o prêmio em quase um século de história da Academia.
Arkapaw, que possui ascendência filipina e afro-americana, superou um campo competitivo de indicados que incluía Dan Laustsen por “Frankenstein”, Darius Khondji por “Marty Supreme”, Michael Bauman por “Uma Batalha Após a Outra” e Adolpho Veloso por “Sonhos de Trem”. O reconhecimento é um marco não apenas em sua carreira, mas também no avanço, há muito aguardado, da presença feminina atrás das câmeras em um dos ofícios mais historicamente dominados por homens em Hollywood.
Durante seu discurso de agradecimento, Arkapaw refletiu sobre o apoio que recebeu ao longo da produção de “Pecadores” e agradeceu ao diretor Ryan Coogler pelo espírito colaborativo que ele leva para seus filmes. Ela relembrou uma troca recorrente entre os dois: sempre que o agradecia pela oportunidade, ele respondia agradecendo a ela por acreditar em sua visão. “Esse é o tipo de cara com quem eu tenho a sorte de fazer filmes”, disse, destacando a confiança que moldou a parceria criativa entre ambos.
Um dos momentos mais marcantes da noite ocorreu quando Arkapaw pediu que todas as mulheres presentes no Dolby Theatre se levantassem. O gesto transformou seu discurso em uma homenagem às muitas mulheres que trabalharam em cinematografia e produção cinematográfica sem receber reconhecimento semelhante. “Eu não chego aqui sem vocês”, afirmou, reconhecendo o apoio coletivo que sentiu ao longo da campanha de premiações.

Sua vitória também deu continuidade ao progresso iniciado por indicadas anteriores. Em seu discurso, Arkapaw prestou homenagem a Rachel Morrison, que em 2018 se tornou a primeira mulher indicada ao Oscar de fotografia por “Mudbound”. Outras indicadas recentes incluem Ari Wegner por “Ataque dos Cães” e Mandy Walker por “Elvis”, embora nenhuma delas tenha vencido o prêmio até então.
Nos bastidores, Arkapaw enfatizou o significado mais amplo daquele momento. Após 98 anos de história do Oscar, observou ela, ver uma mulher conquistar o prêmio de fotografia envia uma mensagem poderosa. A cineasta disse esperar que a vitória inspire meninas que assistiam à cerimônia em casa, especialmente aquelas que compartilham de sua origem. “Muitas meninas que se parecem comigo vão dormir muito felizes hoje”, afirmou, acrescentando que a representatividade em momentos como esse pode mudar a forma como futuros cineastas imaginam suas possibilidades.
Arkapaw também creditou Ryan Coogler por criar um ambiente em que mulheres em posições de liderança puderam prosperar no set. Segundo ela, o diretor incentivou os chefes de departamento a trazer suas próprias vozes e perspectivas para o projeto. Esse espírito colaborativo ajudou a moldar “Pecadores”, um filme que acabou se tornando uma das produções mais celebradas da noite.