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Adaptação teatral de "A Pediatra" explora dilemas éticos da medicina e da maternidade

Redação Culturize-se

O romance “A Pediatra”, da escritora Andréa Del Fuego, chega pela primeira vez aos palcos em uma adaptação dirigida por Inez Viana. A montagem estreia em 12 de março no Sesc Pinheiros, em São Paulo, onde permanece em cartaz até 18 de abril, com apresentações de quinta a sábado, às 20h30.

Publicado em 2021 e considerado uma das leituras mais marcantes de 2022 pela crítica literária, o romance consolidou Del Fuego como uma das vozes mais inquietantes da literatura brasileira contemporânea. Traduzido para sete idiomas, o livro acompanha Cecília, uma pediatra cuja relação com crianças e mães é marcada por frieza, desprezo e desejo de controle.

Na montagem teatral, a personagem ganha corpo na interpretação de Debora Lamm. A atriz encarna uma protagonista descrita pela própria autora como uma “vilã de humor vil”: uma médica privilegiada, classista e amoral que testa continuamente os limites da ética profissional.

“A personagem foi escrita para uma atriz como Debora Lamm, que pilota os polos humanos na mesma intensidade”, afirmou Del Fuego ao comentar a adaptação. Para a escritora, o encontro entre a atriz e a personagem representa um raro momento em que a literatura encontra plenamente o corpo que imaginou.

A trama se desenvolve a partir da própria voz de Cecília, que narra sua trajetória profissional e pessoal. Filha de um médico respeitado, ela escolheu a profissão mais por conveniência do que por vocação. Ao longo da narrativa, seu discurso racional e técnico contrasta com decisões que desafiam qualquer noção humanista de cuidado.

No palco, o espetáculo amplia as tensões presentes no romance ao abordar temas como maternidade compulsória, relações de poder, desigualdades sociais e ética médica. A direção de Inez Viana aposta em uma encenação que envolve o público como cúmplice da protagonista, permitindo que ela mesma conduza o relato de seus conflitos e justificativas.

O elenco conta ainda com Luis Antonio Fortes, que interpreta Celso, personagem de caráter ambíguo e amante de Cecília. Pai de um menino que nasceu sob os cuidados da médica, ele se vê envolvido em uma relação marcada por fascínio e desconfiança.

Para Debora Lamm, o desafio da personagem está justamente em sua ausência de empatia. “Cecília vive à margem do humano e testa constantemente os limites da ética”, afirma a atriz, que acumula mais de quatro décadas de atuação no teatro, cinema e televisão.

A adaptação também dialoga com debates contemporâneos sobre a humanização da medicina. Segundo a diretora, a história encontra eco em experiências comuns de pacientes que já enfrentaram negligência ou frieza no atendimento médico — especialmente em sistemas públicos sobrecarregados.

Ao transportar para o palco uma narrativa marcada por ambiguidades morais, “A pediatra” transforma o romance de Del Fuego em uma experiência teatral que provoca desconforto e reflexão. Em vez de oferecer respostas fáceis, a peça convida o público a encarar as zonas cinzentas entre cuidado, poder e responsabilidade.

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