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IMS Paulista revisita a história dos fotolivros sob o olhar das mulheres

Redação Culturize-se

O Instituto Moreira Salles (IMS) Paulista inaugura, em 17 de março, a exposição O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres, 1843-1999, uma ampla mostra que reúne 106 fotolivros produzidos por mulheres ao longo de mais de um século e meio. A seleção integra o acervo da Biblioteca de Fotografia do IMS e incorpora títulos recém-adquiridos a partir da coleção da 10×10 Photobooks, organização fundada em 2012, em Nova York, por Russet Lederman e Olga Yatskevich.

Dedicada à pesquisa e difusão de fotolivros, a 10×10 tem questionado a historiografia dominante do setor. Segundo as curadoras, embora os estudos sobre a história dos fotolivros tenham começado há cerca de quatro décadas, foram majoritariamente escritos por homens e centrados em autores masculinos. A mostra surge, assim, como gesto crítico: propor uma “nova” história, capaz de reconhecer a contribuição estrutural das mulheres na consolidação desse campo editorial e artístico.

Dividida em dez seções cronológicas e temáticas — de “1843-1919: Pioneiras” a “1990-1999: Em busca de uma fotodemocracia” —, a exposição organiza os livros não apenas por período, mas pelo contexto sociopolítico e pelas disputas de gênero que atravessaram suas produções. Todos os exemplares poderão ser manuseados pelo público, reforçando o caráter de sala de leitura e pesquisa da iniciativa.

Entre os destaques está a inglesa Anna Atkins, considerada uma das primeiras fotógrafas da história. Em 1843, ela publicou Photographs of British Algae: Cyanotype Impressions, obra pioneira ilustrada com cianotipias de algas britânicas. Também na seção “Pioneiras” aparece Dream Children (1901), de Elizabeth B. Brownell, que combina textos literários e composições fotográficas no estilo tableaux vivant.

No eixo “Levantando suas vozes”, destaca-se African Journey (1945), da antropóloga Eslanda Cardozo Goode Robeson, um dos primeiros livros sobre a África produzidos por uma pesquisadora negra norte-americana, em sintonia com o pensamento pan-africanista da década de 1940. Já em “Sororidade em florescimento”, o fotolivro Les Tortures volontaires (1974), da francesa Annette Messager, tensiona padrões de beleza ao reunir imagens de mulheres submetidas a procedimentos estéticos, expondo o corpo feminino como território de violência simbólica.

Divulgação

A mostra também evidencia perspectivas não ocidentais e diásporas. Em “Um despertar global”, Passion (1989), da camaronense Angèle Etoundi Essamba, confronta estereótipos coloniais ao retratar mulheres negras com força e autonomia. Encerrando o percurso, a japonesa Hiromix apresenta Hiromix (1998), crônica visual íntima da juventude urbana dos anos 1990.

O recorte brasileiro foi ampliado para a edição paulista. Além de Claudia Andujar, com Amazônia (1979), Maureen Bisilliat, autora de A João Guimarães Rosa (1969), e Gretta Sarfaty, com Autophotos (1978), foram incorporados livros de Vilma Slomp, Claudia Jaguaribe, Anna Mariani e Stefania Bril, reforçando a presença nacional no panorama internacional.

A exposição já passou por instituições como o Getty Research Institute, o Museo Reina Sofía, o Rijksmuseum e a New York Public Library. O catálogo da mostra foi premiado em 2021 com o PhotoBook Award na feira Paris Photo.

Em cartaz até 2 de agosto, a iniciativa reafirma o IMS como polo de pesquisa e circulação internacional de fotolivros e convida o público a refletir sobre como as narrativas históricas são construídas; além da urgência de reescrevê-las de forma mais equitativa e inclusiva.

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