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Oscar demonstra maturidade com escolhas estratégicas em ano sem filmes excepcionais

Reinaldo Glioche

Como todo ano, recordes foram quebrados e tantos outros estabelecidos na manhã das indicações ao Oscar. A 98ª edição traz consigo, porém, muitos elementos que a distinguem. Para o Brasil, o fato de figurar pelo segundo ano consecutivo na principal categoria da premiação. “O Agente Secreto” recebeu quatro indicações e além de Filme e Filme Internacional, concorre na novíssima categoria de Seleção de Elenco e a Ator, com Wagner Moura se tornando o 1º brasileiro a concorrer na categoria.

Mas há, ainda, as 16 indicações de “Pecadores” pulverizando o recorde sustentado até então por “A Malvada” (1950), “Titanic” (1997) e “La La Land” (2017). O filme de Ryan Coogler estabeleceu outros recordes e sua recepção calorosa pela Academia rendeu até uma surpreendente indicação a Delroy Lindo, que conquista sua primeira nomeação aos 73 anos.

“Uma Batalha Após a Outra” recebeu 13 indicações. Com a indicação a Atriz Coadjuvante para Amy Madigan por “A Hora do Mal” e as 16 de “Pecadores”, a Warner amealhou 30 indicações. Feito histórico que igualou o melhor ano do estúdio, de qualquer estúdio, em 2005 – quando teve “O Aviador”, “Menina de Ouro”, “Harry Potter e o Prisioneiro de Askaban”, “Tróia”, entre outros. O feito é tanto uma reverência a um estúdio que combina como nenhum outro ambição comercial com identidade autoral, como um alerta agridoce para uma Hollywood que enfrenta uma mudança paradigmática – e até certo ponto pautada por imprevisibilidades – com a inevitável venda da Warner para a Netflix.

A Netflix, aliás, saiu-se bem no Oscar 2026. Foram 16 nomeações, com duas produções na lista das melhores do ano. A Apple conseguiu incluir seu “F1” entre os melhores filmes, preenchendo a cota de blockbuster da temporada. Neon e A24, duas distribuidoras independentes que garimpam filmes independentes e estrangeiros e apostam em campanhas de marketing vigorosas, emplacaram 18 e 11 indicações respectivamente. Fato ainda mais assombroso foi a Neon dominar a categoria de Filme Internacional com quatro dos cinco indicados.

Aliás, a ideia de filmes de fora dos EUA restritos a categoria está definitivamente superada. “Valor Sentimental” recebeu nove indicações, incluindo Roteiro Original e Direção, além de três performances destacadas. Outros egressos de Cannes, como “O Agente Secreto”, “Sirât” e “Foi Apenas um Acidente” furaram a bolha de Filme Internacional. Artists de outros países também foram lembrados em categorias técnicas, caso do brasileiro Adolpho Veloso pela fotografia de “Sonhos de Trem”.

Entendendo as disputas

O grande favorito ao Oscar é “Uma Batalha Após a Outra” que deve faturar todos os prêmios na rota da cerimônia de entrega das estatuetas em 15 de março. O filme já ganhou o Critics Choice e o Globo de Ouro. O longa de Paul Thomas Anderson captura o inconformismo político que dialoga com a resistência a Trump, algo bastante embrenhado na liberal Hollywood. O longa ainda se destaca por ter quatro atuações indicadas, recorde do ano. As 16 indicações de “Pecadores”, porém, sugere que o filme deve ganhar uma boa cota de estatuetas – rivalizando com “Frankenstein” nas categorias técnicas.

É inegável que “Valor Sentimental” goza de favoritismo pleno em Filme Internacional e pode até mesmo aspirar prêmios em outras categorias como Roteiro Original e Atriz Coadjuvante, onde ostenta duas performances indicadas. As chances de “O Agente Secreto”, porém, não são desprezíveis. O longa teve excelente performance nos prêmios da crítica e conta com o carisma de Wagner Moura como chamariz.

Timothée Chalamet parece fadado a ganhar o Oscar em sua terceira indicação na categoria de Ator. Ele também concorre como produtor de ‘Marty Supreme”. Aliás, feito repetido que Emma Stone repete depois de “Pobres Criaturas” com “Bugonia”, o que faz dela a mulher mais jovem, aos 37 anos, a atingir sete indicações ao Oscar (cinco como atriz e duas como produtora). Já Steven Spielberg, produtor de “Hamlet”, alcançou a incrível marca de 14 indicações na categoria de Melhor Filme, ampliando um recorde que já era seu.

Fotos: Reprodução/Internet

“Hamlet” que deve dar a Jessie Bucley, uma dessas excelentes atrizes que muito pouca gente fala, a estatueta de Melhor Atriz. Stellan Skarsgärd, que tornou-se o primeiro ator em 98 anos de Oscar a ser indicado em Ator Coadjuvante por um filme não falado em inglês, deve se tornar também o primeiro a ganhá-lo. Conta a seu favor o fato dos dois principais concorrentes, Sean Penn e Benicio Del Toro, ambos por “Uma Batalha Após a Outra”, já terem vencido o Oscar. A disputa entre as coadjuvantes parece mais aberta e o virtual favoritismo de Teyana Taylor (“Uma Batalha Após a Outra”) pode ser sobrepujado tanto por Wunmi Mosaku (“Pecadores”), como pelas atrizes de “Valor Sentimental” (Inga Ibsdotter Lilleaas e Elle Fanning).

Não foi um ano de filmes excepcionais, mas o Oscar conseguiu dar unidade e solidez invejáveis diante do que tinha à disposição. Independentemente dos vencedores, a composição do Oscar 2026 não só é elogiável, como deve servir de referência para futuras edições.

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