Redação Culturize-se
Estudos recentes vêm ampliando o debate sobre a relação entre alimentação e saúde cerebral ao longo da vida. Um deles, publicado na revista científica Neurology, sugere que o consumo regular de queijos e cremes com teor de gordura superior a 20% pode estar associado a um menor risco de desenvolvimento de demência na velhice. Embora não estabeleça uma relação de causa e efeito, a pesquisa reforça a importância de padrões alimentares consistentes como parte das estratégias de prevenção.
O estudo analisou dados de mais de 27 mil adultos, com idades entre 45 e 73 anos, acompanhados por um período de até 25 anos. Nenhum dos participantes apresentava diagnóstico ou sinais de demência no início da pesquisa. Ao longo do acompanhamento, cerca de 3 mil pessoas desenvolveram algum tipo da doença. A metodologia incluiu entrevistas, avaliações alimentares anuais e diários semanais de consumo, o que permitiu aos pesquisadores identificar hábitos alimentares recorrentes ao longo do tempo.
Os resultados indicam que indivíduos que incluíram regularmente queijos e cremes mais gordurosos na dieta apresentaram menor incidência de demência. Os autores, no entanto, ressaltam que os dados apontam para uma associação, e não para um efeito protetor comprovado. Ainda assim, o achado dialoga com um corpo crescente de evidências que relaciona alimentação equilibrada, saúde intestinal e desempenho cognitivo.
Segundo a nutricionista Joelia Silva, da Tijuca Alimentos, o queijo pode integrar uma dieta saudável quando consumido com moderação e dentro de um plano alimentar adequado. “O alimento é fonte de nutrientes importantes, como vitaminas A e B12, além de conter probióticos que contribuem para o equilíbrio da microbiota intestinal, fator cada vez mais associado à saúde cerebral”, explica. Ela acrescenta que o queijo também contribui para a densidade óssea e para o aporte energético diário.
Especialistas destacam que a prevenção da demência envolve um conjunto de fatores: alimentação balanceada, atividade física, estímulo cognitivo e acompanhamento profissional. Nesse contexto, o queijo pode ter um papel complementar, desde que respeitadas as quantidades recomendadas, sobretudo devido ao teor de gordura e sódio de alguns tipos.