Redação Culturize-se
A morte de Valentino Garavani, confirmada na segunda-feira (19) pela Fondazione Valentino Garavani e Giancarlo Giammetti, aos 93 anos, encerra simbolicamente um dos capítulos mais influentes da moda do século 20. Mais do que a despedida de um estilista, trata-se do fim de uma era marcada pela crença inabalável na elegância clássica, no glamour e na alta-costura como forma suprema de expressão estética.
Nascido em Voghera, no norte da Itália, em 1932, Valentino decidiu ainda jovem que faria da moda o seu ofício. Inspirado inicialmente pelo esplendor visual dos figurinos de Hollywood, construiu sua formação técnica em Paris, onde estudou na École des Beaux-Arts e na Chambre Syndicale de la Couture. Passagens pelas maisons de Jean Dessès e Guy Laroche refinaram a precisão que se tornaria uma de suas marcas registradas.
O retorno à Itália, no fim dos anos 1950, foi decisivo. Em Roma, abriu seu ateliê na Via Condotti e conheceu Giancarlo Giammetti, parceiro fundamental tanto na vida pessoal quanto na estruturação do império Valentino. A estreia oficial da maison, em 1962, no Palazzo Pitti, em Florença, projetou imediatamente o estilista no circuito internacional, consolidando a ideia de uma elegância italiana sofisticada, feminina e teatral na medida exata.
Valentino construiu um vocabulário estético reconhecível à primeira vista. Linhas limpas, chiffon, laços, flores e o contraste rigoroso entre preto e branco formavam a base de sua linguagem visual. No centro desse universo estava o “Rosso Valentino”, um vermelho vibrante que transcendeu a condição de cor para se tornar símbolo. Para o estilista, era o tom capaz de expressar simultaneamente poder, sensualidade e delicadeza — uma assinatura definitiva.

A filosofia era simples e contundente. “Eu sei o que as mulheres querem: elas querem ser bonitas”, afirmou no documentário “Valentino: The Last Emperor”. Essa convicção o transformou no costureiro de confiança de mulheres que personificavam poder e glamour. Jackie Kennedy Onassis, Elizabeth Taylor, Sophia Loren e princesas europeias ajudaram a fixar sua imagem como o criador dos grandes momentos públicos, dos tapetes vermelhos aos eventos históricos.
Mesmo diante das transformações da moda contemporânea, Valentino permaneceu fiel à ideia de beleza clássica até sua aposentadoria, em 2008. A continuidade da maison sob diretores criativos como Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli demonstra a força de um legado capaz de dialogar com o presente sem perder identidade.
Com sua morte, Valentino Garavani deixa uma concepção de moda como celebração da beleza, da excelência e do tempo longo — valores raros em um setor cada vez mais acelerado.