Redação Culturize-se
Salvador recebe a maior e mais abrangente retrospectiva já dedicada a Vik Muniz. A exposição “A Olho Nu”, em cartaz até 29 de março de 2026 no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia), reúne mais de 200 obras distribuídas em 37 séries e percorre mais de quatro décadas de produção de um dos artistas brasileiros mais reconhecidos internacionalmente. A mostra tem curadoria de Daniel Rangel e é realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em parceria com o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC).
Depois de passar pelo Instituto Ricardo Brennand, em Recife, onde atraiu mais de 70 mil visitantes, a retrospectiva chega à capital baiana com um recorte especialmente pensado para dialogar com o território. Vik Muniz mantém há décadas uma relação estreita com a Bahia, onde possui casa e ateliê, além de espaços no Rio de Janeiro e em Nova York. Essa conexão se reflete tanto no desenho curatorial quanto na expansão da exposição para além do museu.
No MAC_Bahia, o percurso expositivo apresenta obras fundamentais de diferentes fases da carreira do artista, desde os experimentos escultóricos dos anos 1980 até as séries mais recentes, nas quais a fotografia se consolida como eixo central. Logo na entrada, o público é recebido pela série “Relicário” (1989–2025), considerada decisiva para compreender a virada conceitual de Muniz. Não exibida desde 2014, a série reúne esculturas tridimensionais concebidas para serem fotografadas, revelando o momento em que o artista passa do objeto à imagem construída para a lente.

Especialmente para a etapa de Salvador, Vik Muniz criou quatro esculturas inéditas, Queijo (Cheese), Patins (Skates), Ninho de Ouro (Golden Nest) e Suvenir nº 18, todas pertencentes à série “Relicário”. Essas obras não integraram a montagem apresentada em Recife e reforçam o caráter singular da exposição no MAC_Bahia. A mostra inclui ainda trabalhos nunca exibidos no Brasil, como Oklahoma, Menino 2 e Neurônios 2, apresentados anteriormente apenas nos Estados Unidos.
Reconhecido por transformar materiais cotidianos em imagens de forte impacto visual e simbólico, Vik Muniz construiu uma poética marcada pela ilusão, pela mimetização e pelo humor crítico. Açúcar, chocolate, lixo, sucata, poeira, fragmentos de revistas, dinheiro e até manteiga de amendoim e geleia fazem parte de um vocabulário artístico que aproxima sua obra tanto da arte pop quanto da vida cotidiana. Séries consagradas como “Crianças de açúcar”, “Imagens de lixo”, “Imagens de chocolate”, “Imagens de diamantes” e “Dinheiro Vivo” estão entre os destaques do conjunto apresentado.
Para o curador Daniel Rangel, também diretor do MAC_Bahia, a retrospectiva evidencia a singularidade do método de Muniz. Inspirando-se na definição do artista canadense Jeff Wall, Rangel descreve Vik como um “fotógrafo agricultor”, aquele que constrói cuidadosamente a cena que será registrada. “Vik Muniz é um ilusionista, um mágico na construção de imagens que não existem, mas que se tornam reais”, afirma o curador.

Além do museu, “A Olho Nu” se desdobra em outros dois espaços da cidade. Na Galeria Lugar Comum, instalada na Feira de São Joaquim, o artista apresenta uma instalação inédita inspirada na obra “Nail Fetish” (2010), marcando sua primeira exposição no local e aprofundando o diálogo com territórios populares de Salvador. O ateliê de Muniz, no Santo Antônio Além do Carmo, também receberá encontros e visitas especiais ao longo do período da mostra.
Com acesso gratuito e programação educativa contínua, a exposição mobiliza uma ampla estrutura de mediação, manutenção e logística, com expectativa de receber cerca de 400 visitantes por dia.