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Romance de Edney Silvestre conecta Van Gogh ao Brasil contemporâneo

Redação Culturize-se

Edney Silvestre, um dos nomes mais importantes da literatura brasileira atual, está de volta às livrarias com “O último Van Gogh”, romance que propõe uma conexão ousada entre dois personagens separados por mais de um século, mas unidos pela condição de invisíveis sociais. O autor, vencedor do Prêmio Jabuti de Melhor Romance e com obras traduzidas em sete países europeus, constrói uma narrativa que atravessa o tempo para aproximar o gênio atormentado Vincent van Gogh da realidade marginal do Brasil de 2024.

A história entrelaça dois narradores. No século XIX, Vincent van Gogh enfrenta a rejeição de sua obra revolucionária, a pobreza extrema e os tormentos que o conduziriam ao trágico fim em Auvers-sur-Oise. No presente, Igor Brown sobrevive no Rio de Janeiro entre relações passageiras e trabalhos sexuais, protegido pela fachada de tradutor de Libras. A vida do jovem se transforma quando ele é envolvido no roubo de uma tela de Van Gogh desaparecida durante a Segunda Guerra Mundial, escondida em um apartamento de luxo no Leblon.

A gênese do romance nasceu de uma experiência transformadora do autor. Em 2014, ao visitar a exposição Van Gogh – o suicidado pela sociedade, no Museu d’Orsay em Paris, Silvestre percebeu o que considera um equívoco histórico. “Ali percebi o gigantesco equívoco de tratar sua arte e sua morte como fruto apenas de depressão. Vincent foi ridicularizado, rejeitado, empurrado ao suicídio por uma sociedade incapaz de compreender sua sensibilidade”, observou em entrevista recente à TV Globo.

Foto: Reprodução/TV Globo

O personagem Igor Brown surgiu de memórias jornalísticas de Silvestre. Entre 2004 e 2005, ao fazer reportagens nas cercanias da Central do Brasil, o autor conheceu crianças abandonadas e violentadas, vítimas da mesma invisibilidade social que atingiu Van Gogh. “A partir da história desses meninos nasceu Igor Brown — o michê de Copacabana, capaz de qualquer recurso para sobreviver”, revela.

Com sua escrita envolvente, Edney Silvestre oferece aos leitores uma narrativa que une passado e presente, arte e crime, dor e possibilidade de redenção.

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