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Aquisição da Warner pela Netflix enseja mais incertezas do que esperança

Reinaldo Glioche

A notícia é chocante e seus desdobramentos podem ser ainda mais desestabilizadores. Como toda fusão, a compra da Warner Bros. pela Netflix enseja toda sorte de expectativas, mas é seguro dizer que pairam mais incertezas do que esperança sobre o negócio. Em 2017, a Disney comprou a Fox por cerca de US$ 72 bilhões. A Netflix, menos de dez anos depois, anuncia a compra da Warner por US$ 10 bilhões a mais.

O contexto dos negócios é radicalmente diferente. Em 2017, a Disney buscava se municiar para a emergente guerra dos streamings – e o catálogo da Fox, bem como suas propriedades intelectuais, lhe davam substância para o enfrentamento. Hoje, a Netflix já venceu essa guerra. A Warner, por seu turno, atravessou diversas reestruturações, incluindo fusões, desmembramentos e mudanças de controle, nos últimos 15 anos. Um dos estúdios mais emblemáticos e importantes de Hollywood não conseguiu fazer de seu streaming, a HBO MAX, algo lucrativo e, embora esteja tendo um excelente ano nos cinemas – é o estúdio recordista de bilheteria em 2025 – a operação da empresa engasga em diversos setores.

A Netflix, é válido pontuar, não está adquirindo toda a Warner Discovery. Um novo desmembramento, com os canais lineares e esportes ficando fora da negociação, está a caminho. Há, ainda, os desafios regulatórios nos EUA, onde Donald Trump já mostrara ser mais simpático a uma fusão com a Paramount Skydance, e em outros países como Brasil, Japão e União Europeia.

Foto: Reprodução/Internet

À esta altura, tudo é conjectura. É sabido que as filosofias e culturas das empresas são diferentes. Embora neste momento de escrutínio haja o discurso de que a essência da Warner será mantida, bem sabemos que a cartilha das fusões não envereda por esse sentido. Ted Sarandos, o homem forte da Netflix e um dos engenheiros da negociação, já sinalizou que as janelas de exclusividade para cinemas serão menores ou “mais amigáveis ao consumidor”, para transcrever o eufemismo usado.

Essa tendência fere violentamente o cinema enquanto negócio. Não apenas por ser a Warner um dos estúdios mais importantes da estrutura hollywoodiana, assim como insinuante de filmes com grande ambição artística, mas também por deter propriedades intelectuais de grande apelo para essa mídia, como Harry Potter e Batman.

Outra incógnita é o futuro da HBO, que já perdera prestígio (o AppleTV é hoje o que a HBO fora nos anos 90 e 00), mas ainda tem um recall forte enquanto marca. A plataforma de streaming HBO MAX, que até hoje ainda não está disponível globalmente, será descontinuada? Fará sentido para a Netflix manter duas plataformas sob seu guarda-chuva? A Disney tentou, com o Hulu, nos EUA, e o Star, internacionalmente, mas eventualmente desistiu; concentrando tudo no Disney+.

Nesse sentido, o post-mortem da guerra dos streamings se anuncia ainda mais ruidoso do que o próprio embate. Algo como a guerra fria após a segunda guerra mundial. A desorientação será acachapante durante essa fase de consolidação do negócio, que só deve ser finalizada no começo de 2027. Até lá, muitas perspectivas, receios e angústias se atropelarão. A única certeza é que Hollywood – e a indústria do entretenimento como um todo – jamais serão os mesmos.

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