Redação Culturize-se
A percepção dos jovens brasileiros sobre a inteligência artificial (IA) revela uma geração que enxerga a tecnologia como parte indissociável de seu presente e determinante de seu futuro. A pesquisa realizada pela Demà e pela Nexus mostra que, entre jovens de 14 a 29 anos, a IA não é apenas uma ferramenta complementar ao cotidiano; ela se tornou um pilar formativo, influenciando desde a maneira de estudar até a projeção de carreira.
Segundo o levantamento, 84% dos entrevistados acreditam que dominar IA impacta diretamente a empregabilidade, consolidando a tecnologia como um diferencial competitivo. Apenas 11% avaliam que esse conhecimento não faz diferença, enquanto uma parcela mínima, de 3%, o enxerga como prejudicial. Para a maioria, a adaptação às novas demandas do mercado depende justamente da capacidade de dialogar com sistemas e ferramentas automatizadas, o que enseja uma visão coerente com a velocidade das transformações no mundo do trabalho.
O impacto da IA, no entanto, não se limita ao emprego. Sete em cada dez jovens mantêm contato quase diário com a tecnologia, seja para pesquisas gerais, traduções, geração de ideias e textos ou preparação de relatórios. Em algumas faixas, como entre estudantes universitários, essa rotina é ainda mais intensa: 85% têm envolvimento cotidiano com IA, número que cai para 71% no ensino médio e 57% no fundamental.

A tecnologia também está remodelando o aprendizado. Mais de dois terços dos jovens reconhecem que ferramentas de IA contribuem para o estudo, e 71% afirmam utilizá-las para deveres escolares e preparação para provas. Nesse sentido, a IA assume o papel de uma espécie de “Google da nova geração”; mais direta, mais personalizada e mais integrada aos fluxos de estudo.
Ao mesmo tempo, a pesquisa revela uma contradição importante: embora amplamente utilizada, uma parcela dos jovens ainda não consegue definir o que é IA, mesmo recorrendo a assistentes de voz, mecanismos de busca, geradores de imagem e outros serviços no dia a dia. É um sinal de que a popularização da tecnologia avança mais rápido do que a compreensão crítica sobre seu funcionamento.
Apesar das lacunas de entendimento, o cenário é inequívoco. A IA já molda comportamentos, expectativas e oportunidades e os jovens brasileiros, mais do que qualquer outro grupo, mostram estar prontos para esse novo paradigma.