Por Reinaldo Glioche
Não há série atual mais eficiente do que “The Morning Show”. Em sua 4ª temporada, a produção seminal do Apple TV, sofre com o foco, mas ganha em ritmo, sem prescindir de atuações crepusculares – especialmente de Billy Crudup e Jennifer Aniston. O novo ciclo, cujos dez episódios já estão disponíveis no streaming, ainda se beneficia da participação de nomes como Jeremy Irons, Marion Cottilard, Will Arnett e Aaron Pierre.
A temporada começa na primavera de 2024, quase dois anos após os eventos da terceira temporada. Com a fusão entre a UBA e a NBN concluída, a redação precisa lidar com novas responsabilidades, motivações ocultas e a natureza evasiva da verdade em uma América polarizada. O mote principal é a cobertura dos jogos olímpicos de Paris, mas discussões como inteligência artificial, doping e asilo político enrobustecem esse panorama.
Em outra frente, Bradley (Reese Witherspoon), que agora leciona jornalismo em uma faculdade modesta em sua terra natal, recebe uma denúncia anônima sobre um possível acobertamento por parte de sua antiga emissora de um escândalo ambiental.
Alex (Jennifer Aniston) tenta superar o traumático rompimento com o bilionário Paul (Jon Hamm) e entender seu novo status como executiva de um conglomerado de mídia. Stella (Greta Lee), agora CEO da UBN, sofre para conseguir estabelecer os critérios e objetivos por ela desejados. Mia (Karen Pittman) vive a expectativa de ser promovida a chefe de jornalismo.




Mais do que nunca, “The Morning Show” se concentra em suas personagens femininas – é um mundo de intrigas e vulnerabilidades irrigadas por personagens decididas e com visões de mundo bem definidas. Mas o coração da série ainda é Cory (o excepcional Billy Crudup), que no novo ano precisa travar uma batalha por sua alma. Cory, que começa a temporada afastada do jornalismo e tentando emplacar como produtor em Hollywood, é dos personagens mais complexos da TV americana atual e Crudup ainda consegue expor novas facetas e conflitos para ele.
Há muito tempo a série assumiu sua vocação de novelão, mas existe uma grande diferença entre assumir-se como tal e ser dinâmica e cativante o suficiente para ser bem-sucedida neste contexto. Conduzida com brilhantismo por Mimi Leder e Charlotte Stoudt, “The Morning Show” aproveita-se do bom fluxo de ideias – um espelho da rotina jornalística – e dos bons atores para driblar eventuais inconsistências.
Nem tudo funciona bem no 4º ano – o plot de Reese Witherspoon segue desinteressante e há assuntos introduzidos de forma capenga que são abandonados pelo meio do caminho -, mas há conflitos suficientemente fortes e bem engendrados que impulsionam a série para frente de maneira sempre lenitiva.
A season finale é uma ebulição como poucas séries atuais parecem capazes de entregar. Sem cliffhangers explícitos, “The Morning Show” sabe deixar sua audiência ansiando por mais e demonstra que ainda tem fôlego para novos e alucinados episódios.