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Cantora etíope-sudanesa Alemeda quer redefinir o lugar das mulheres negras no rock

Redação Culturize-se

A estrela em ascensão Alemeda está abrindo seu próprio espaço no pop-punk e no alt-rock, gêneros raramente associados a artistas negras. Mas, para a musicista etíope-sudanesa de 25 anos, sua incursão nesse som é tão pessoal quanto desafiadora. Nascida Rahema Alameda, ela se mudou da Etiópia para Phoenix, no Arizona, aos 13 anos, junto com sua mãe muçulmana devota, que proibia música em casa. Crescer em meio ao silêncio apenas ampliou seu desejo de encontrar sua própria voz. “Minha mãe veio para a América com nada além da fé”, contou à NME. “Se eu desistisse do que acredito, seria um desrespeito a tudo o que ela fez por mim.”

Essa determinação deu frutos. Alemeda chamou atenção pela primeira vez em 2018 com “Ain’t Fast Enough”, seguida do sucesso viral “Gonna Bleach My Eyebrows”, em 2021. Seu som cru e letras autoconfiantes despertaram o interesse da Top Dawg Entertainment (TDE) — gravadora de nomes como Kendrick Lamar, SZA e Doechii. Em 2023, ela se tornou a primeira artista de rock da TDE, estreando com o EP “Fk It”. “A TDE deixa o artista conduzir o processo”, explicou. “É uma pressão, mas uma pressão boa.”

Seu projeto mais recente, “But What The Hell Do I Know”, a consolida como uma das novas vozes mais ousadas do rock alternativo. O EP mistura a energia dos anos 2000 com uma pegada moderna; uma homenagem às bandas que admirava na juventude, como Paramore, Arctic Monkeys e The Strokes. A faixa “1-800-F**K-YOU”, contou, foi diretamente inspirada por esse som de garagem. “Se a versão mais jovem de mim encontrasse isso, pensaria: ‘Meu Deus, isso é muito legal.’”

Para Alemeda, o rock é mais do que nostalgia; é reconquista. “Tive que me educar sobre como o rock nasceu de músicos negros”, observa. “Saber que artistas como Elvis foram influenciados a ponto de quase roubar me fez querer retomar o gênero.”

Foto: divulgação

Sua música também canaliza a força e a dor de sua mãe. “Ela se casou aos 13, passou por coisas que ninguém deveria viver”, revelou Alemeda. “Essa raiva e essa força me moldaram.” Na faixa “Beat a Bitch Up”, com participação de Doechii, ela confronta a traição e o empoderamento de frente, creditando à colaboradora o incentivo para expandir seus limites vocais. “Levei três horas para alcançar aquela nota ao estilo Hayley Williams”, riu, “mas valeu a pena.”

Enquanto “Fk It” foi sobre provar seu valor, Alemeda diz que o novo disco trata de autenticidade. “Antes, eu queria agradar as pessoas. Agora, faço o tipo de música que realmente ouviria.” Seu próximo objetivo é gravar o álbum de estreia “em algum lugar que me deixe desconfortável o suficiente para crescer.”

Refletindo sobre sua trajetória, de uma infância sem música na Etiópia a uma gravadora repleta de estrelas do rap, Alemeda deixou um conselho à sua versão mais jovem: “Confie na sua intuição. Não duvide de si mesma.”

Com sua atitude destemida e seu som que desafia rótulos, Alemeda está redefinindo como uma mulher negra no rock pode soar e se apresentar.

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