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Bilionários transformam o esporte em novo campo de investimento global

Redação Culturize-se

Os super-ricos estão transformando o esporte em um dos principais destinos de investimento do mundo. Segundo relatório do JPMorgan Chase, cerca de 20% das 111 famílias bilionárias atendidas pelo banco possuem atualmente participações majoritárias em equipes esportivas; um salto expressivo em relação aos 6% registrados há três anos. O estudo, que reúne famílias com patrimônio líquido combinado superior a US$ 500 bilhões, mostra que aproximadamente um terço delas investe diretamente em clubes ou estádios, tornando o esporte o principal ativo especializado de seus portfólios, à frente de arte e carros de luxo.

Para Andrew L. Cohen, presidente do private banking global do JPMorgan, o fenômeno representa uma virada na percepção desse tipo de investimento. “Os esportes se tornaram mais do que apenas um investimento por paixão. Viraram uma parte real do portfólio”, afirmou em entrevista à Bloomberg. Ele observa que o aumento dos valores de mercado e das receitas de mídia têm atraído capital institucional e consolidado o setor como uma classe de ativos madura.

Nos Estados Unidos, o movimento é liderado por ligas como a NBA e a NFL, que vêm abrindo espaço para fundos de private equity e atraindo bilionários e conglomerados financeiros. O caso mais recente é a compra do Los Angeles Lakers por US$ 10 bilhões, realizada por Mark Walter, superando o recorde anterior de US$ 6,1 bilhões pago pelo Boston Celtics em março. Já o New York Giants da NFL vendeu 10% de sua participação para Julia Koch e a família Koch, com avaliação de US$ 10,3 bilhões – o valor mais alto já atribuído a uma franquia esportiva na história.

Foto: Reprodução/Instagram

Segundo dados compilados pela Bloomberg, os preços médios de equipes profissionais aumentaram cerca de 30% desde 2020, impulsionados por acordos bilionários de transmissão e pelo interesse crescente de investidores estrangeiros. Além dos Estados Unidos, o movimento também se espalha pela Europa e Ásia. O industrial britânico Jim Ratcliffe, fundador do grupo químico Ineos, pagou aproximadamente US$ 1,5 bilhão por 27,7% do Manchester United, assumindo o controle das operações de futebol do clube. Já o magnata tcheco Michal Strnad, dono de um império de munições, adquiriu o FC Viktoria Plzen, ampliando sua presença no mercado esportivo europeu.

Cohen ressalta que, embora os Estados Unidos continuem sendo o epicentro desse tipo de investimento, as oportunidades estão se tornando “mais ubíquas”, com famílias bilionárias buscando diversificação e presença global. O JPMorgan estima que, além dos esportes, o interesse por ativos alternativos como infraestrutura, entretenimento e tecnologia esportiva tende a crescer nos próximos anos, à medida que o capital privado se afasta dos mercados públicos.

Outro dado revelador do relatório é o apetite dos bilionários por um papel mais ativo em seus investimentos. Quase 70% dos entrevistados disseram preferir posições diretas, como assentos em conselhos e gestão compartilhada, em comparação a 43% há três anos. O cenário reflete uma mudança de perfil entre as famílias ultrarricas, que estão deixando de lado a mera especulação financeira e apostando em setores com forte apelo cultural e potencial de valorização a longo prazo.

O mercado esportivo, historicamente dominado por investidores apaixonados, tornou-se, assim, um novo polo de concentração de riqueza global e um espelho das dinâmicas econômicas contemporâneas. Com a entrada de gigantes de private equity, como Apollo e Ares Management, e a escalada dos direitos de mídia, a indústria esportiva deixa de ser um negócio periférico para ocupar lugar de destaque no portfólio dos bilionários do século XXI.

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