Redação Culturize-se
O cinema francês retorna em peso às telas brasileiras com a 16ª edição do Festival de Cinema Francês do Brasil, antigo Festival Varilux, que acontece a partir de 27 de novembro. A abertura, no Rio de Janeiro, contará com a presença da consagrada atriz Isabelle Huppert, que apresenta seu novo longa, “A Mulher Mais Rica do Mundo” (La Femme la plus Riche du Monde), de Thierry Kliffa. Vencedora de prêmios como o BAFTA, o César e o Globo de Ouro, Huppert desembarca no país para encontros com o público e jornalistas, reafirmando sua relevância internacional e a força do cinema francês contemporâneo. O filme, inspirado na história real de uma herdeira do setor de cosméticos, foi exibido em Cannes e discute temas como ambição, filantropia e segredos familiares; assuntos que ecoam a complexidade das personagens que a atriz costuma interpretar.

Outro grande nome que marca presença no evento é Omar Sy, rosto conhecido do público brasileiro desde o sucesso mundial de “Intocáveis” (2011). O ator volta à programação com “Fora de Controle” (Dis-moi juste que tu m’aimes), dirigido por Anne Le Ny, uma trama que combina drama conjugal e suspense psicológico. No filme, Sy interpreta Julien, um homem em crise conjugal que reencontra o amor do passado, vivido por Vanessa Paradis, enquanto sua esposa, Marie (Élodie Bouchez), mergulha em um perigoso ciclo de ciúmes e insegurança. A diretora, também atriz e roteirista, define a obra como um “thriller doméstico” e explica que quis explorar “o que acontece no meio de um relacionamento, quando o amor precisa ser reinventado”. Para Sy, a parceria com Le Ny tem um valor especial. “Ela tem uma capacidade incrível de escuta e sabe como tirar o melhor de mim como ator”, declarou.
A programação também homenageia a trajetória de François Ozon, um dos cineastas mais prolíficos e reconhecidos da França, que participa pela sétima vez do festival. Seu novo longa, “O Estrangeiro” (L’Étranger), adaptação do clássico de Albert Camus, inspira inclusive a identidade visual desta edição. O drama em preto e branco, estrelado por Benjamin Voisin e Rebecca Marder, revisita a história de Meursault, um homem indiferente à vida e à moralidade, cujo julgamento após um assassinato sem motivo aparente se transforma em reflexão sobre a condição humana e o colonialismo francês. Ozon, que já teve títulos como “Frantz”, “Graças a Deus” e “Verão de 85” exibidos no festival, reafirma seu papel como ponte entre tradição literária e reinvenção estética no cinema europeu contemporâneo.
O festival se consolida como uma das maiores janelas de intercâmbio cultural entre Brasil e França. Além das exibições, a edição de 2025 promove debates, mostras itinerantes e atividades de formação cinematográfica em diversas capitais, destacando a importância do diálogo cultural em tempos de fronteiras digitais e tensões geopolíticas.

O Festival de Cinema Francês do Brasil se tornou um símbolo da vitalidade do cinema europeu e de sua relação afetiva com o público brasileiro. Reunindo lendas como Isabelle Huppert, ídolos populares como Omar Sy e autores consagrados como François Ozon, a mostra confirma o poder do cinema francês em conciliar arte, emoção e reflexão, que são ingredientes essenciais para manter viva a cinefilia em tempos de streaming e dispersão cultural.