Redação Culturize-se
A partir do dia 13 de novembro, o público poderá visitar na Galeria de Fotos do Centro Cultural Fiesp, em São Paulo, a exposição “Olhar Negro, Negro Olhar — Antologia da Fotografia Negra da Bahia”, um amplo e sensível panorama da fotografia produzida no estado. Com curadoria de Bené Fonteles e pesquisa e organização de Marcelo Reis, a mostra propõe um mergulho nas múltiplas dimensões da negritude baiana, articulando arte, memória e identidade.
Reunindo 23 artistas visuais de três gerações e mais de 90 fotografias, a exposição apresenta nomes fundamentais para a história da imagem na Bahia, como Pierre Verger, Mário Cravo Neto, Miguel Rio Branco, Zélia Gattai, Adenor Gondim, Ayrson Heráclito e Bauer Sá, entre outros. O diálogo entre esses criadores, de diferentes origens e experiências, revela tanto o olhar de fotógrafos profundamente imersos nas tradições afro-brasileiras quanto o de artistas que, de fora, se deixaram tocar pela força estética e espiritual da presença negra no estado.
De acordo com Marcelo Reis, “pensar a fotografia a partir de quem olha e do que é olhado é essencial para compreendermos como o olhar negro se constitui na arte baiana”. Para ele, essa antologia constrói uma leitura plural da identidade visual da Bahia, em que cada imagem atua como um espelho da ancestralidade e da resistência de seu povo.

A mostra também dialoga com a noção de “cisão do ver”, formulada pelo teórico francês Georges Didi-Huberman, segundo a qual o olhar e o ser olhado se entrecruzam, revelando que “o que vemos só vive em nossos olhos pelo que nos olha”. Assim, “Olhar Negro, Negro Olhar” propõe uma revisão crítica e poética da história visual baiana, iluminando o papel do imaginário negro na formação simbólica do Brasil.
Para Débora Viana, gerente executiva de Cultura do SESI-SP, a exposição reforça um compromisso institucional com a diversidade e a reflexão: “Um dos compromissos do SESI-SP é contribuir com a sociedade civil, promovendo educação e cultura. A mostra destaca uma temática necessária no contexto das negritudes, reunindo grandes fotógrafos que retratam, com sensibilidade e profundidade, as africanidades na cultura e no cotidiano da Bahia.”
Com imagens que atravessam décadas, “Olhar Negro, Negro Olhar” é um testemunho visual de pertencimento e reverência, que reafirma o poder do olhar como instrumento de afirmação e escuta.