Redação Culturize-se
Entre 10 e 19 de novembro, o público brasileiro poderá mergulhar no cinema contemporâneo de Israel sem sair de casa. A 4ª edição da Mostra de Cinema Israelense, realizada pelo Instituto Brasil-Israel (IBI) em parceria com o Sesc e o Museu da Imagem e do Som (MIS), apresenta uma seleção de produções recentes exibidas gratuitamente na plataforma Sesc Digital.
A curadoria, assinada por Bruno Szlak, reúne longas que transitam entre o drama, o romance e o suspense, revelando nuances do cotidiano israelense e de suas complexas dimensões culturais. Entre os destaques está “The Road to Eilat” (2022), uma comovente road movie sobre reconciliação familiar, em que pai e filho percorrem o país a bordo de um trator. Outro título, “Cabaret Total” (2024), acompanha um ator fracassado que busca reerguer a carreira, enquanto “Real Estate” (2023) transforma a busca por um lar em metáfora das relações humanas.

A mostra também aposta em narrativas intimistas e sociais. “Halisa” (2024) revela, com delicadeza documental, as transformações de estruturas familiares por meio da relação entre uma enfermeira e uma jovem mãe em Haifa. Já “EID” (2024) propõe um retrato da sociedade árabe-israelense, acompanhando um homem dividido entre o dever familiar e o desejo de liberdade. O filme “Soda” (2024), ambientado nos anos 1950, destaca o talento de Lior Raz como um líder comunitário atormentado por dilemas morais e fantasmas do Holocausto. A direção de Erez Tadmor combina realismo social e sutileza emocional em uma história sobre culpa, amor e redenção.
O encerramento da mostra será marcado pelo documentário “Holding Liat” (2025), vencedor do Prêmio de Documentário da Berlinale e do Prêmio do Júri Ecumênico. O filme aborda o sequestro de Liat Beinin-Atzili durante o ataque do Hamas ao Kibutz Nir Oz, em outubro de 2023. Ao transformar uma tragédia pessoal em reflexão política, a obra questiona as fronteiras entre vítima e agressor e propõe um olhar humanista sobre o conflito.
Com uma programação plural, a Mostra de Cinema Israelense reafirma o cinema como território de encontro e diálogo, oferecendo ao público brasileiro uma oportunidade rara de conhecer histórias que equilibram emoção, crítica social e sensibilidade estética.