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Entre tambores e manifestos, Salvador será a capital global do artivismo

Redação Culturize-se

De 3 a 5 de novembro, Salvador será o ponto de convergência para artistas, ativistas e líderes culturais de mais de 60 países. A capital baiana sediará a segunda edição da Conferência Global Artivism, um evento internacional que combina arte, política e mobilização social em torno de um propósito comum, que é repensar o papel da cultura como força de transformação global.

A iniciativa, que reuniu quase três mil participantes na primeira edição em Joanesburgo (África do Sul), chega ao Brasil em um momento simbólico — às vésperas da COP30, que ocorrerá em Belém (PA). Mais do que uma conferência, o encontro busca construir um movimento mundial de “artivistas”, artistas que aliam criação estética e engajamento político em prol da justiça social e ambiental.

Uma cidade-movimento

Com cerca de 800 participantes de 60 países, o Global Artivism ocupará diversos espaços culturais de Salvador. Entre eles o Teatro Gregório de Matos, o Espaço Cultural da Barroquinha, o Cine Glauber Rocha e o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB). Parte da programação será gratuita, democratizando o acesso à arte e às discussões propostas.

O evento terá mais de 80 atividades, entre painéis, palestras, performances e oficinas, sempre articulando arte e ativismo. Os temas vão de justiça climática e direitos da natureza a combate ao sexismo estrutural, passando por solidariedade global, resistência política e criação coletiva de novas narrativas culturais.

A estrutura da conferência foi desenhada como uma jornada simbólica pela história e pela força da ancestralidade afro-brasileira. O primeiro dia será dedicado ao presente, com debates sobre crises globais e o papel da arte diante do autoritarismo e da emergência climática. O segundo mergulhará no passado, celebrando o saber ancestral e a resistência negra com atividades no Pelourinho. O terceiro olhará para o futuro, convidando os participantes a imaginar novas formas de mobilização e a redigir manifestos coletivos.

Foto: Divulgação

Entre os nomes confirmados estão Margareth Menezes, ministra da Cultura, e o ativista mexicano Guz Guevara, reconhecido pela defesa dos direitos das pessoas com deficiência e da inclusão LGBTQIA+. Ele participará do painel “Poder, Verdade e Imaginação: Artistas Reivindicando o Espaço Cívico” e fará uma performance no palco principal.

Outro destaque é a brasileira Puma Camillê, travesti negra e multiartista que une capoeira e voguing em performances sobre identidade e ancestralidade. Criadora do projeto Capoeira para Todes, Puma transformou a prática em um movimento político que valoriza a cultura afro-brasileira e a inclusão de corpos dissidentes.

Do continente africano, o coletivo ALT BLK Africa, composto por artistas de diferentes países da diáspora, apresentará uma performance sobre música e ancestralidade. Dos Estados Unidos, DJ Cavem, artista eco-hip-hop e doutor em Ecologia Urbana, comandará a sessão “Raízes, Batidas e Tratados Climáticos”, misturando beats, ecologia e soberania alimentar.

Artivismo como força global

O Global Artivism nasceu da fusão entre arte e ativismo — o “artivismo” — e propõe uma nova forma de engajamento cultural. O conceito parte da ideia de que os artistas são arquitetos de transformação social, capazes de moldar imaginários e influenciar políticas públicas por meio da criatividade.

“A cultura molda nossa imaginação e define o que acreditamos ser possível. Aqueles que detêm o poder cultural têm a capacidade de moldar o futuro. O Global Artivism existe para afirmar que os artistas são agentes centrais da transformação global”, afirmam os organizadores do evento.

A edição brasileira reforça esse propósito ao situar o encontro em Salvador, cidade marcada pela herança africana e pela potência cultural. A escolha não é aleatória. A capital baiana é símbolo de resistência e diversidade, e agora se tornará o epicentro de uma rede internacional de criadores engajados.

Ao sediar o Global Artivism, Salvador se projeta como capital global do diálogo entre arte, democracia e meio ambiente. O evento servirá como ponte entre o pensamento artístico e os debates que antecedem a COP30, reforçando o papel do Brasil nas discussões sobre sustentabilidade e justiça climática.

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