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Ridley Scott está pessimista com o cinema

Reinaldo Glioche

O cineasta britânico Ridley Scott é do tipo prolífero. São 62 créditos como diretor. Algumas obras-primas como “Gladiador” (2000), “Blade Runner” (1982), “Alien, o Oitavo Passageiro” (1979) e outros tantos filmes dignos de nota compõem uma filmografia que tem seus percalços e filmes ruins. Embora seja talentoso, visionário até, Scott roda filmes ruins e medianos em maior volume do que filmes bons.

Recentemente, em uma palestra no British Film Institute, em Londres, o diretor pôs-se a falar sobre o estado das coisas no cinema e seu diagnóstico não é bom. “Está uma merda”, bradou. Aos 87 anos, Scott demonstra cansaço com Hollywood, não com o ofício. Na última década foram sete filmes e alguns episódios de séries de TV que produziu. Está envolvido na pré-produção de mais oito longas.

Durante a turnê promocional de “Napoleão”, em 2023, que rodou para o AppleTV+, mostrou-se frequentemente aborrecido com as questões de repórteres e com a recepção morna do longa. Essa persona voltou a aflorar na palestra em Londres. “Hollywood está se afogando na mediocridade”, vaticinou. “A quantidade de filmes que são feitos hoje, literalmente globalmente, milhões. Não há milhares, há milhões, e a maior parte é uma merda”.

Scott argumentou que, de todos os filmes produzidos hoje – tanto para cinemas quanto para plataformas de streaming – apenas uma pequena fração atinge um nível decente de qualidade. Ele criticou especialmente a dependência da indústria moderna de efeitos digitais para mascarar roteiros fracos e corrigir falhas de narrativa.

O britânico fez, ainda, uma comparação com o que era produzido em 1940 e que naquela época a proporção de ótimos filmes era maior do que atualmente. Afastando a modéstia, Scott disse que sua estafa com os filmes modernos o levou a revisitar seus próprios filmes, que “são muito bons e também não envelhecem”.

Ridley Scott no set | Foto: Divulgação

Realmente há filmes seminais em sua obra e outros muito dignos e inspirados como “Perdido em Marte” (2015), “O Gangster” (2007), “Rede de Mentiras” (2008), “Thelma & Louise ” (1991) e “Os Vigaristas” (2003), mas esse desabafo do cineasta, além de algum cio por afagos, revela um descontentamento mais pujante de cineastas da “velha guarda” com a disposição de poderes, negócios e narrativas na conjuntura do cinema enquanto indústria, mas também como arte.

O pessimismo de Scott já foi verbalizado, com outras interjeições, por gente como James Gray, Martin Scorsese, Paul Schrader e tantos outros. Não se trata necessariamente de um cinema pior, embora ele não esteja melhor, mas de um cinema menos reconhecível e intercambiável para quem começou a fazer cinema em um contexto absolutamente diferente em que criatividade e ousadia eram ativos muito mais valorizados.

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