Reinaldo Glioche
O 27º Festival do Rio, que acontece de 2 a 12 de outubro, apresenta a maior edição da Première Brasil de sua história, com 124 títulos entre longas, médias e curtas-metragens. A seleção representa a diversidade da cinematografia brasileira, reunindo obras inéditas em circuito comercial e consolidando o festival como a mais importante vitrine do cinema nacional.
Dos 320 longas e mil curtas inscritos, 48 filmes foram selecionados para concorrer ao Troféu Redentor nas mostras competitivas Competição Principal e Novos Rumos, enquanto 76 integram as seleções especiais. A programação registra 54 estreias mundiais e inclui quatro séries brasileiras que serão exibidas na tela grande em sessões de gala.
Entre os destaques da competição de documentários está “Massa Funkeira”, de Ana Rieper, que estreia no dia 7 de outubro. O filme aborda sexualidade a partir do universo do funk, com depoimentos de Valesca Popozuda, Kevin O’Chris, Tati Quebra Barraco e MC Carol. “Um filme que gira em torno do Baile de Favela no Rio de Janeiro não poderia ter melhor janela”, afirma a diretora, que assina seu sétimo longa-metragem.
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Outro documentário em destaque é “Com Causa”, de Belisário Franca e Pedro Nóbrega, que estreia no dia 4 na mostra O Estado das Coisas. A produção reúne depoimentos de ativistas do Brasil e do mundo, da Amazônia à África, e foi um dos vencedores do Runners Up no Kaia Film Festival, na Turquia. Franca é diretor de obras premiadas como “Amazônia Eterna” e “Menino 23”, vencedor do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de 2017.

A Première Latina, uma das mostras mais tradicionais do festival, retorna com 18 títulos da Argentina, Chile, México, Uruguai, Bolívia, Colômbia e Equador. O destaque é “Nossa Terra”, de Lucrecia Martel, ensaio documental sobre violência contra povos indígenas que passou por Veneza e Toronto. Também integram a seleção “A Onda”, musical de Sebastián Lelio, vencedor do Oscar por “Uma Mulher Fantástica”, e “O Olhar Misterioso do Flamingo”, de Diego Céspedes, vencedor do Prix Un Certain Regard em Cannes 2025.
A programação brasileira abrange diversos gêneros e temáticas. Na ficção, destacam-se títulos como “A Vida de Cada Um”, de Murilo Salles, “Cyclone”, de Flavia Castro, e “Dolores”, de Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes. A mostra Retratos traz documentários sobre personalidades como Milton Gonçalves, Hyldon e Fernanda Abreu.
O festival ocupará diversos espaços da cidade, mantendo o Armazém da Utopia, no Cais do Porto, como sede principal. Os cinemas do circuito Carioca da Prefeitura e Parques Municipais receberão programação especial. O tradicional Cine Odeon, na Cinelândia, sediará sessões populares com debates abertos ao público.