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Artista são-bernardense imagina mundo pós-colapso climático

Redação Culturize-se

A Pinacoteca de São Bernardo do Campo recebe de 27 de setembro a 29 de novembro a exposição “Habitar Pós-Futuros”, primeira individual da artista multidisciplinar Juliana Brandão. A mostra, com entrada franca, apresenta quase 20 obras que convidam o público a refletir sobre a vida após um possível colapso climático.

Por meio de esculturas sonoras e com movimento, videoinstalações e pinturas, Brandão explora um mundo onde a natureza retoma seu espaço sem interferência humana. As obras criam um ambiente pulsante e vigoroso, onde plantas brotam dentro de casas, móveis são tomados por musgos e folhagens, assoalhos “respiram” e sons de animais ecoam de ruínas, simulando a reconquista natural do ambiente construído.

“Para mim, o fim do mundo é um recomeço. A vida continuará existindo, mas de outras formas”, explica a artista, que é mestranda em Poéticas Visuais pela Unicamp. Sua pesquisa investiga o conceito de lar como algo que transcende o espaço físico, entrelaçando memórias, vivências e projeções de futuros possíveis.

Tecnologia como ferramenta de reflexão ambiental

Um aspecto distintivo do trabalho de Brandão é o uso não convencional da tecnologia na arte. Com motores, alto-falantes, computadores e ferramentas de inteligência artificial, suas obras são acionadas por sensores de movimento, criando experiências interativas que questionam a relação de interdependência entre humanos e outras espécies do planeta.

“Em sua obra, a tecnologia é usada para provocar, nos ajudando a repensar nossa existência e os modos como atuamos no planeta”, observa Ana Carla Soler, curadora da exposição. As reflexões da artista partem de questões do antropoceno, período geológico atual marcado pela influência humana no meio ambiente.

A exposição tem produção da Paradoxa Gestão Cultural e foi contemplada pelo edital de Fomento a Artes Visuais da Lei Aldir Blanc. Como diferencial inclusivo, “Habitar Pós-Futuros” oferece obras táteis e audiodescrição para pessoas com deficiência visual.

A mostra acontece na Pinacoteca de São Bernardo do Campo, que completa 50 anos de existência como o maior espaço de exposição permanente de arte contemporânea da região do ABC. O equipamento cultural conta com quatro espaços expositivos, jardim de esculturas e programação voltada para artistas fora do circuito tradicional de galerias, consolidando-se como o principal espaço artístico do estado fora da capital paulista.

A proposta poética de “Habitar Pós-Futuros” posiciona o habitar como ato de resiliência e reinvenção, onde a casa, vista como organismo vivo, adapta-se aos ciclos de vida, morte e renascimento. A exposição convida os visitantes a reimaginar futuros possíveis onde a interdependência das espécies seja reconhecida e respeitada.

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