Redação Culturize-se
Em 2011, a final do The X Factor UK, colocou Jade Thirlwall, então uma jovem de 18 anos, como integrante do Little Mix. O que deveria ser uma vitória plena foi vivido com incerteza.
“Lembro da sensação conflitante de pensar: ‘Isso é incrível’, mas estar apavorada com o que realmente significava”, recorda mais de uma década depois. No dia seguinte, qualquer resquício de vida normal evaporou. Reuniões intermináveis com empresários e advogados, ensaios de manhã à noite e a avalanche da fama a consumiram. “Vimos nossas famílias por cinco minutos e só voltei a encontrá-las no Natal”, diz em entrevista à revista The Fader.
Nos seis anos seguintes, o Little Mix lançou cinco álbuns, liderou paradas nos dois lados do Atlântico e construiu uma base fiel de fãs. Mas por trás do sucesso havia abusos online, exaustão, paparazzi invasivos e o retorno de um distúrbio alimentar que Thirlwall acreditava ter superado. Essa montanha-russa emocional acabou servindo de combustível para seu trabalho solo.
Esse trabalho, “That’s Showbiz Baby!”, não apenas marca uma nova fase, como a reapresenta como artista em pleno controle. Nas 14 faixas, Thirlwall disseca as contradições de ser viciada na fama e, ao mesmo tempo, rejeitar sua engrenagem. Misturando disco, hyperpop, trance e R&B, o álbum é tão caótico quanto brilhante — um reflexo do próprio universo pop.
Após o hiato do grupo em 2020, Thirlwall enfrentou inseguranças criativas e um vazio de agenda. Só depois de experiências frustradas em Los Angeles encontrou sua voz, resultando em canções como “Angels of My Dreams”, eleita uma das melhores de 2024 pela NME e vencedora no Brit Awards de 2025.

A artista demonstra ser uma estudiosa do pop, transitando entre batidas eletrônicas, baladas intimistas e experimentações disco, sempre com humor e vulnerabilidade. O álbum traz ainda referências pessoais dolorosas, como a doença da mãe, transformadas em hinos dançantes.
Hoje, além de cantora, Thirlwall assume papel político em suas performances, denunciando cortes sociais, guerras e preconceitos. Ela rejeitou contratos milionários por questões éticas e admite o risco de perder oportunidades, mas reafirma: “Meu trabalho é criar música pop incrível como forma de escapismo, mas também lutar pelo que é certo”.
Com “That’s Showbiz Baby!”, Thirlwall mostra que sabe transformar caos em espetáculo, dor em dança e política em performance, consolidando-se como muito mais que uma ex-integrante de girl group, mas uma visionária do pop contemporâneo.