Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Entre ousadia estética e pressões de mercado, Apple apresenta sua nova linha de produtos

Redação Culturize-se

A Apple realizou na terça-feira (9) seu maior evento de produtos do ano, revelando uma linha de dispositivos projetados para manter seu ecossistema atraente e seus clientes engajados, mesmo em meio à pressão causada pelas vendas fracas e pela percepção de que a empresa está ficando para trás na corrida da inteligência artificial.

O destaque do lançamento de setembro, em Cupertino, foram quatro novos modelos de iPhone: o iPhone 17 padrão, o iPhone 17 Pro e Pro Max de ponta, e o inédito iPhone Air — o smartphone mais fino já produzido pela Apple. Novos AirPods Pro e uma linha atualizada de Apple Watch completaram os anúncios.

iPhone Air: a estrela do evento

O iPhone Air rapidamente atraiu as atenções. Com apenas 5,6 milímetros de espessura e revestimento em titânio polido, o dispositivo representa a aposta estética mais ousada da Apple em anos. O CEO Tim Cook o definiu como “diferente de tudo o que você já experimentou”, posicionando o Air como uma declaração de design e também um salto tecnológico.

A tela de 6,5 polegadas, a proteção Ceramic Shield e o novo processador A19 Pro conferem ao aparelho especificações robustas, mas a Apple fez concessões para alcançar esse perfil ultrafino. A bateria tem capacidade limitada, o sistema de câmera inclui apenas uma lente única de 48 megapixels e o slot físico para SIM card foi eliminado. Custando US$ 999, o modelo fica entre o iPhone 17 básico (US$ 799) e o iPhone 17 Pro (US$ 1.099).

iPhone 17 Pro: potência e resistência

Se o Air é a vitrine de design, o iPhone 17 Pro é o “cavalo de batalha”. A Apple o chamou de o iPhone mais poderoso até hoje, trazendo um novo sistema de resfriamento por câmara de vapor e uma estrutura unibody de alumínio, projetada para gerenciar melhor o calor em relação ao corpo de titânio introduzido em 2023.

A durabilidade foi um tema central. O vidro frontal adota o Ceramic Shield 2, três vezes mais resistente a riscos do que versões anteriores, enquanto a redução do vidro na parte traseira torna o aparelho menos suscetível a quebras. As câmeras também receberam grandes melhorias: três lentes traseiras, todas de 48 MP, com zoom de até 8x — o maior já visto em um iPhone. Funções como Center Stage permitem alternar facilmente entre retrato e paisagem ou gravar simultaneamente com as câmeras frontal e traseira.

O Pro Max, a partir de US$ 1.199, amplia a tela para 6,9 polegadas. Com a memória base elevada para 256 GB, a Apple aumenta discretamente o preço médio de venda, estratégia que pode compensar a desaceleração no volume de unidades comercializadas.

Além dos iPhones

A Apple também renovou sua linha de Apple Watch, reforçando a aposta da empresa em saúde e bem-estar. O Apple Watch SE 3 traz monitoramento expandido de frequência cardíaca, respiração, duração do sono e temperatura do pulso, dados que podem aprimorar o acompanhamento de ciclos de fertilidade. O relógio agora também emite alertas de hipertensão, ampliando sua função como monitor pessoal de saúde. Parcerias com Nike e Hermès acrescentam novos estilos e pulseiras.

Os AirPods Pro 3 receberam algumas das atualizações mais futuristas do dia. Além de ajuste e som aprimorados, os fones agora oferecem tradução simultânea de idiomas diretamente no ouvido do usuário. Eles também integram sensores de batimentos cardíacos para treinos, reforçando o discurso da Apple de que seus vestíveis compõem um ecossistema centrado na saúde. A duração da bateria foi estendida e o cancelamento ativo de ruído, aperfeiçoado.

Os desafios da Apple

O lançamento ocorre em um momento delicado para a gigante da tecnologia. No ano fiscal de 2024, as vendas do iPhone ficaram estáveis em US$ 201,2 bilhões, sinalizando a maturidade do aparelho em um mercado de smartphones saturado. Embora Cook tenha conduzido com sucesso linhas de acessórios como o Apple Watch e os AirPods, a empresa não lançou um produto revolucionário comparável ao iPhone ou ao iPad sob sua liderança. O headset Vision Pro, apresentado no início de 2024, fracassou após uma onda inicial de hype.

Enquanto isso, rivais avançam rapidamente em inteligência artificial generativa, deixando a Apple sob críticas por chegar atrasada à disputa. O evento de setembro, embora impressionante em termos de hardware, fez pouco para alterar essa percepção.

A reação do mercado refletiu essa ambivalência: as ações da Apple caíram 1,5% após o evento e acumulam queda superior a 6% no ano. Analistas apontam que a estratégia de preços — especialmente a elevação no valor inicial dos modelos Pro — pode aumentar a receita, mas somente se os consumidores acreditarem que os avanços incrementais justificam o prêmio.

Além das mudanças nos produtos, a Apple continua a redesenhar sua cadeia global de suprimentos. Cook acelerou a transferência da produção de iPhones para a Índia, ao mesmo tempo em que prometeu investir US$ 100 bilhões em instalações nos EUA, em um gesto para agradar as demandas de Donald Trump.

Por ora, a aposta da Apple é que a finura, a durabilidade e alguns recursos futuristas — como tradução em tempo real e insights sobre fertilidade — sejam suficientes para atrair clientes. Os novos dispositivos chegam às lojas em 19 de setembro, a tempo da temporada crítica de fim de ano.

Se o iPhone Air se tornará um verdadeiro “divisor de águas” ou apenas uma curiosidade de design dependerá de como os consumidores equilibrarão estilo e substância. De qualquer forma, o mais recente lançamento da Apple é um lembrete do delicado equilíbrio que a empresa precisa manter: avançar o suficiente para preservar a lealdade de seus clientes, enquanto busca seu próximo grande salto.

Isso pode te interessar

Play

Quilty quer redefinir como filmes são escolhidos e financiados

Arquitetura & Urbanismo

Primeira Bienal brasileira aposta em identidade e contexto para repensar o espaço construído

Reportagens

Comemorações dos 50 anos da Funarte fortalecem a Cultura do Brasil

Cinema

Aos 100 anos, Odeon representa resistência do cinema de rua no Rio

Newsletter Gratuita

Tenha o melhor da cultura na palma da sua mão. Assine a newsletter gratuita de Culturize-se. Todos os dias pela manhã na sua caixa de e-mail.