Redação Culturize-se
Após cinco anos de disputa judicial, a Justiça dos Estados Unidos determinou nesta terça-feira (2) que o Google deverá compartilhar dados de busca com concorrentes e encerrar acordos de exclusividade que limitavam a presença de outros serviços em dispositivos móveis. No entanto, o juiz federal Amit Mehta descartou a exigência de que a empresa se desfizesse do navegador Chrome ou do sistema operacional Android, medida que havia sido defendida pelo Departamento de Justiça como forma de reduzir o poder da companhia no setor.
A decisão é parte de uma das maiores ações antitruste movidas contra uma gigante da tecnologia nas últimas duas décadas. O processo, aberto em 2020, acusava o Google de manter práticas ilegais para consolidar sua posição dominante nas buscas online e na publicidade digital. Em 2024, Mehta já havia concluído que a empresa violou a lei antitruste, mas ainda restava definir quais punições seriam aplicadas.
Entre os exemplos de condutas consideradas anticompetitivas, o tribunal citou pagamentos bilionários feitos pela Alphabet, controladora do Google, a fabricantes de smartphones para garantir que seu buscador fosse o padrão em aparelhos como iPhones, dispositivos Samsung e Motorola. Estima-se que esses contratos tenham movimentado cerca de US$ 26,3 bilhões em 2021, criando barreiras significativas para rivais como Bing, da Microsoft, e DuckDuckGo.
A decisão representa uma vitória parcial para o Google. A empresa conseguiu evitar medidas mais duras, como a venda de ativos estratégicos no setor de adtech e a cisão do Chrome, mas terá de modificar sua atuação no mercado de buscas. Sundar Pichai, CEO da companhia, já havia alertado em abril que o compartilhamento de dados poderia abrir brechas para que concorrentes realizassem engenharia reversa em sua tecnologia. Ainda assim, o tribunal manteve a exigência.
O impacto da decisão repercutiu imediatamente no mercado financeiro. As ações da Alphabet subiram mais de 7% no pregão após o anúncio, refletindo o alívio dos investidores diante da recusa em forçar a venda do Chrome. Outras gigantes de tecnologia também se beneficiaram: a Apple registrou alta de mais de 3%, já que poderá continuar a pré-instalar o Google como buscador em seus iPhones.
O Google afirmou que recorrerá da decisão, o que pode prolongar a disputa por anos até que as medidas passem a valer plenamente. Enquanto isso, especialistas avaliam que o julgamento simboliza um marco na tentativa do governo americano de conter o domínio das big techs e estimular maior concorrência no setor digital.