Reinaldo Glioche
Aclamado por sua abordagem intensa e visceral da maternidade e do colapso psicológico, “Morra, Amor” é uma das principais apostas para o próximo Oscar. O filme de Lynne Ramsay, do impactante “Precisamos Falar Sobr o Kevin” (2011), estreou com críticas elogiosas em Cannes e chega aos cinemas brasileiros em 27 de novembro.
Na obra, Jennifer Lawrence interpreta Grace, uma mulher vivendo um drama sufocante no isolamento rural após o nascimento do filho. Sua performance, crua e comovente, ostenta humor negro, sensorialidade e tormento psicológico — uma entrega que já é tida como uma das mais impactantes de sua carreira. Críticos destacaram sua devastadora transição entre violência contida e momentos de humor sombrio, sugerindo que a atriz está “no caminho de um novo Oscar”.
Apesar das conversas sobre maternidade e depressão pós-parto, Ramsay comentou que a narrativa vai além desses temas, enfatizando a deterioração de um relacionamento e o bloqueio criativo artístico, em vez de se concentrar exclusivamente em uma condição clínica. “O cerne desta história se concentra na complexidade do amor e em como ele pode mudar e se transformar ao longo do tempo. Procurei torná-lo realista, humano, espontâneo e, às vezes, engraçado, capturando os momentos que parecem pequenos, mas carregam muito peso”, observa a cineasta. “O filme é para qualquer pessoa que já tenha estado em um relacionamento — há dor e beleza na vulnerabilidade”
A adaptação da novela de Ariana Harwicz, escrita por Ramsay com Enda Walsh e Alice Birch, aposta em uma estética fragmentada e sensorial, imergindo o espectador na mente de Grace de forma quase onírica.
Em meio ao êxito crítico, a plataforma Mubi adquiriu os direitos de distribuição do filme por US$ 24 milhões — a maior negociação do festival — garantindo seu lançamento nos Estados Unidos, Reino Unido, América Latina e outros mercados importantes.
