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Exposição curada por cegos quer redefinir o acesso à arte

Redação Culturize-se

Com estreia marcada para novembro no Henry Moore Institute, em Leeds, na Inglaterra, a exposição Beyond the Visual inaugura um marco histórico na curadoria de arte contemporânea: é a primeira mostra de escultura concebida por artistas cegos e com baixa visão no Reino Unido. O projeto, resultado de três anos de pesquisa, desafia o predomínio da visão como principal forma de fruição estética e propõe uma mudança radical nas práticas institucionais dos museus e galerias de arte.

Ao permitir, e encorajar, que o público toque nas obras, Beyond the Visual convida visitantes com ou sem deficiência visual a experimentar a escultura por meio do tato, do som e da luminosidade. As obras selecionadas, como Doggirl (2025), de Emilie Louise Gossiaux, e Sculpture for the Blind, by the Blind (2017), de Lenka Clayton, expandem as fronteiras da escultura contemporânea ao incorporar aspectos multissensoriais. Outras criações como Bucket of Rain, de Jennifer Justice, e os painéis iluminados de Collin van Uchelen reforçam esse compromisso com uma estética tátil e inclusiva.

Para o artista cego Aaron McPeake, co-curador da mostra, a exposição é um exemplo de como a acessibilidade pode beneficiar toda a sociedade – os chamados “blindness gains”. Tecnologias inicialmente pensadas para pessoas cegas, como os avisos sonoros nos transportes públicos, tornaram-se ferramentas amplamente adotadas por todos. Da mesma forma, tornar a arte acessível pelo tato reconfigura a experiência museológica para um público mais amplo e diverso.

A curadora Clare O’Dowd, ao The Guardian, destaca a importância de integrar objetos táteis ao acervo, mesmo quando se trata de artistas vivos, como forma de ampliar o acesso e a compreensão das obras. A ideia é combater o viés “ocularcêntrico” profundamente arraigado no mundo da arte – um viés que torna a visão a única via legítima de apreciação estética.

Ao recuperar uma tradição que remonta às “exposições de toque” do início do século XX e ao trabalho do próprio Henry Moore, que valorizava intensamente a textura e o contato físico com os materiais, Beyond the Visual reabre caminhos que haviam sido negligenciados. Mais do que uma exposição inclusiva, trata-se de um gesto político, poético e profundamente transformador.

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