Redação Culturize-se
A exposição World Press Photo 2025 desembarca em São Paulo a partir de 5 de agosto na CAIXA Cultural, trazendo ao público os 42 projetos vencedores do 68º Concurso Anual de Fotojornalismo. Após passar pelo Rio de Janeiro, a mostra segue itinerante pelo Brasil, com paradas programadas em Brasília, Curitiba e Salvador. Reunindo o melhor do fotojornalismo contemporâneo, a exposição oferece um retrato poderoso e diverso dos acontecimentos mais urgentes do mundo atual, com histórias que abordam temas como conflitos armados, migração, mudanças climáticas, política, gênero e questões sociais profundas.
Nesta edição, foram premiados trabalhos de fotógrafos de 31 países, entre eles três brasileiros: Amanda Perobelli, André Coelho e Anselmo Cunha. O Brasil, aliás, aparece tanto por trás quanto diante das câmeras. O mexicano Musuk Nolte venceu com a série Seca no Rio Amazonas, que retrata o impacto da estiagem na região Norte do país. Já o francês Jerome Brouillet, da AFP, captou o momento em que o surfista Gabriel Medina emerge de uma onda no Taiti, imagem que garantiu a medalha de bronze ao atleta nas Olimpíadas de Paris.
Entre os premiados nacionais, Anselmo Cunha conquistou o júri na categoria Individual com Aeronave em Pista Inundada, foto registrada durante as enchentes históricas no Rio Grande do Sul em maio de 2024. Amanda Perobelli venceu na categoria Reportagem com a série As Piores Enchentes do Brasil, que documenta os efeitos do desastre climático na cidade de Canoas. Já André Coelho foi reconhecido com a imagem Torcida do Botafogo: Orgulho e Glória, que mostra a celebração dos torcedores após a conquista inédita da Libertadores da América em 2024.
A exposição também promove um importante diálogo com a campanha Feminicídio Zero, chamando atenção para a violência de gênero e a condição das mulheres em diferentes contextos. Imagens como Corpos Femininos Como Campos de Batalha, de Cinzia Canneri, e Terra Sem Mulheres, de Kiana Hayeri, integram a mostra e escancaram, com sensibilidade e força visual, como os corpos femininos seguem sendo alvo de opressão e violência. A iniciativa visa ampliar o debate sobre os direitos das mulheres e o papel do fotojornalismo na luta por justiça e equidade.

Segundo Flávia Moretti, representante da World Press Photo no Brasil, a exposição tem o poder de provocar e mobilizar. “Uma foto vencedora do World Press não é apenas um registro histórico, é arte. Documenta, emociona e permanece. Trazer essa mostra para o Brasil, e ver nosso país também retratado com potência, é motivo de orgulho”, afirma.
Com curadoria internacional e avaliação criteriosa, a edição de 2025 expandiu a premiação, passando de 33 para 42 projetos reconhecidos. A mudança mais significativa foi o aumento de premiados nas categorias Fotografia Individual e Reportagem: agora, são três vencedores por categoria em cada uma das seis regiões do mundo, além de um prêmio regional para Projeto de Longo Prazo. Essa divisão regional foi implementada em 2021 para garantir uma maior representatividade geográfica e narrativa no concurso.
Ao todo, foram recebidas 59.320 imagens, enviadas por 3.778 fotógrafos de 141 países. As inscrições são anônimas, avaliadas em duas etapas: primeiro por júris regionais e, em seguida, por um júri global, composto pelos presidentes das comissões regionais e o presidente global. Neste ano, o fotógrafo brasileiro Lalo de Almeida, vencedor da edição de 2024, presidiu o júri da América do Sul.
A mostra apresenta ainda imagens que revelam os efeitos das mudanças climáticas em países como Peru, Brasil e Filipinas, além de retratos comoventes, como o de uma criança palestina com amputações após bombardeios em Gaza – eleito Foto do Ano – e o de um jovem trans de 21 anos nos Países Baixos. Outras narrativas visuais mostram protestos em Mianmar, Haiti, Geórgia, El Salvador e Quênia, bem como registros impactantes da comunidade LGBTQIAPN+ celebrando o orgulho em locais onde ser quem se é pode significar risco à vida, como em Lagos, na Nigéria.
Com entrada gratuita, a World Press Photo 2025 será exibida em mais de 60 cidades ao redor do mundo, incluindo Amsterdã, Londres, Roma, Berlim, Jacarta, Cidade do México e Sydney. No Brasil, a exposição conta com patrocínio da CAIXA e do Governo Federal, apoio do jornal Folha de S.Paulo e da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que também participa da programação paralela com debates e atividades sobre liberdade de imprensa e direitos humanos.