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Turismo canábico em alta: como o Brasil se insere em um mercado global em expansão

Redação Culturize-se

O turismo canábico diz respeito às viagens motivadas pelo interesse em consumir ou vivenciar experiências relacionadas à cannabis. Embora ainda envolto em tabus e preconceitos, esse tipo de turismo ganha relevância diante das mudanças nas políticas de drogas em diversos países e do surgimento de novos mercados turísticos especializados. Tradicionalmente, a Organização Mundial do Turismo reconhece segmentos como sol e praia, ecoturismo e turismo cultural, mas há espaço também para subcategorias como o turismo de experiência, onde o turismo canábico se encaixa ao oferecer vivências ligadas ao consumo ou à cultura da planta.

Historicamente ligado aos movimentos de contracultura dos anos 1960, o turismo de drogas evoluiu com a ampliação da oferta e da tolerância em certos destinos. Locais como os coffee shops na Holanda, os clubes canábicos de Barcelona, as cerimônias com ayahuasca na Amazônia e os dispensários legais em estados norte-americanos tornaram-se pontos de atração. Segundo dados da ONU, a cannabis é a substância mais consumida no mundo, com cerca de 219 milhões de usuários em 2021. Em países onde seu uso foi legalizado, como Canadá, Uruguai, Jamaica e Tailândia, surgiram mercados turísticos voltados para esse público. No Uruguai, embora a venda legal seja restrita a cidadãos, turistas estrangeiros buscam o país pelo ambiente permissivo. Na Europa, a Holanda continua sendo referência, enquanto nos EUA, estados como Colorado e Nova York têm desenvolvido experiências canábicas sofisticadas, integrando eventos, cultura e gastronomia.

Foto: Reprodução/Internet

No Brasil, apesar da proibição do uso adulto da maconha, o turismo canábico já se manifesta de duas formas: com brasileiros viajando para destinos onde o consumo é permitido e com o surgimento de eventos e experiências em solo nacional. Em 2022, 40% do público da ExpoCannabis do Uruguai era brasileiro. Além disso, regiões como Canoa Quebrada (CE), Ilha do Mel (PR), Trindade (RJ) e São Thomé das Letras (MG) são conhecidas por sua tolerância ao consumo. O país também vem fortalecendo o turismo legal baseado em eventos, com feiras, congressos e marchas da maconha. Em 2023, o NETUD/UERJ mapeou 123 eventos canábicos, majoritariamente no Sudeste, com foco em cannabis medicinal, cultura, uso adulto e legislação.

Uma iniciativa promissora é o roteiro histórico-cultural de turismo canábico no Rio de Janeiro, com 14 Pontos de Interesse Canábico (PICs) mapeados. A proposta não promove o uso da substância, mas valoriza o patrimônio cultural e a presença da cannabis na história urbana. O projeto prevê a criação de um aplicativo com roteiros interativos e realidade aumentada, que poderá ser expandido para outras cidades.

O futuro do turismo canábico no Brasil depende do equilíbrio entre avanços legais, como o recente julgamento do STF que descriminalizou o porte para uso pessoal, e retrocessos potenciais, como a PEC 45/2023, que pretende criminalizar qualquer posse. Cabe ao poder público e à sociedade civil pensar modelos de turismo que promovam reparação histórica, inclusão e desenvolvimento sustentável.

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