Redação Culturize-se
Após explodir na cena indie rock com o sucesso excêntrico de 2022, “Chaise Longue”, o Wet Leg poderia facilmente ter caído no esquecimento como uma banda de um hit só. Mas com “Moisturizer”, seu segundo álbum, Rhian Teasdale e Hester Chambers provam que estão longe disso. Misturando atitude pós-punk com doçura power-pop e letras inesperadamente sensíveis, a dupla traça um novo caminho com confiança, mantendo o charme que as destacou desde o início.
Formado na Ilha de Wight, o Wet Leg teve uma ascensão meteórica com seu disco de estreia: indicações ao Grammy, turnês com Harry Styles e fama viral marcaram sua trajetória inicial. Mas “Moisturizer” sinaliza uma virada mais profunda e pessoal. Teasdale canta sobre amor queer e autodescoberta com uma franqueza e ironia desarmantes. A sedutora “Pillow Talk” canaliza desejo com um rosnado punk, enquanto faixas como “davina mccall” e “Jennifer’s Body” equilibram emoção e referências culturais com leveza.

Musicalmente, o álbum é um passeio estilístico pelas ramificações do punk. Do riff anguloso do single principal “Catch These Fists” (com ecos de St. Vincent) à tensão açucarada de “Mangetout” e às texturas sombrias de “11:21”, o Wet Leg transita entre gêneros sem perder coesão. A cadência contida da voz de Teasdale permanece central em todas as faixas, conferindo um ar de frieza que contrasta com as emoções sutis sob a superfície.
Há momentos mais agressivos – “Pokemon” e “Pillow Talk” flertam com o grunge e o punk -, mas “Moisturizer” é, acima de tudo, mais vulnerável e menos afrontoso do que seu single de estreia sugeriria. Essa mudança parece intencional. Se o primeiro álbum era revestido de ironia, este entrega sinceridade, maturidade e o prazer de ver uma banda se encontrando.
Com “Moisturizer”, o Wet Leg desafia expectativas. A piada que deu origem ao projeto cresceu e virou um ótimo punchline – e o futuro da banda parece mais promissor do que nunca.