Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Espetáculos e festivais revelam pluralidade e força da cena coreográfica nacional

Redação Culturize-se

O mês de julho marca uma temporada vibrante para a dança no Brasil, reunindo companhias de renome nacional, novos talentos e espetáculos que atravessam temas como afeto, ancestralidade, prazer, identidade e urbanidade. Do interior de Goiás à capital paulista, palcos se abrem para experiências coreográficas que afirmam a potência da linguagem do corpo no país, seja na tradição do balé clássico, nas manifestações contemporâneas ou em iniciativas de formação e intercâmbio.

No Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, três importantes companhias brasileiras apresentam criações inéditas ou retomadas marcantes. A Cisne Negro Cia de Dança estreia, nos dias 25 a 27 de julho, o espetáculo Que Tal o Impossível?, inspirado na obra de Itamar Assumpção. Com coreografia de Jorge Garcia e curadoria musical de Anelis Assumpção, filha do artista, a montagem é uma celebração da vida noturna paulistana e da diversidade cultural da cidade. Ao lado de elementos cênicos marcantes e figurinos de João Pimenta, a trilha de Maurício Badé e a mixagem de Bruno Buarque embalam uma coreografia que dialoga com o teatro, a poesia e a efervescência urbana.

Já entre os dias 17 e 21 de julho, o palco do mesmo teatro recebe a Cia de Ballet Dalal Achcar, que apresenta TAL VEZ e Triple Bill. O primeiro espetáculo, coreografado por Alex Neoral, mistura balé clássico e dança contemporânea em uma narrativa sobre encontros e desencontros afetivos. Com trilha sonora inspirada em cineastas como Almodóvar e Woody Allen, TAL VEZ investe em uma construção visual sofisticada, com cenários de Natalia Lana e visagismo de Fernando Torquatto.

Fechando a trilogia de atrações no Sérgio Cardoso, a Focus Cia de Dança apresenta Entre a Pele e a Alma entre 31 de julho e 3 de agosto. A montagem, também dirigida por Alex Neoral, foi concebida como celebração de seus 30 anos de carreira e combina referências à pintura renascentista O Jardim das Delícias Terrenas, de Hieronymus Bosch, com elementos estéticos e sonoros de Ney Matogrosso, que participa pela primeira vez como intérprete vocal de uma trilha de dança. O espetáculo aborda temas como prazer, moralidade e liberdade, tensionando códigos sociais e religiosos impostos ao corpo. A sessão de 2 de agosto contará com acessibilidade em Libras, além de uma oficina aberta ao público no mesmo dia.

Fora da capital paulista, o Festival Internacional de Dança Goiás confirma sua posição de destaque no cenário nacional. Realizado entre 1º e 6 de julho em Goiânia, o evento chega à sua 10ª edição reunindo dois mil bailarinos, 115 grupos de 57 cidades e mais de 500 coreografias em competição. Com entrada gratuita, o festival oferece R$ 75 mil em prêmios e cerca de 50 bolsas internacionais, incluindo vagas em companhias e escolas prestigiadas como o Valentina Kozlova International Ballet Competition, em Nova Iorque.

A programação inclui também workshops com profissionais brasileiros e estrangeiros, batalhas de danças urbanas, uma feira especializada e a mostra master, voltada a bailarinos com mais de 30 anos. As apresentações das companhias goianas convidadas reforçam o compromisso do festival com a cena local e com a diversidade de expressões corporais.

A potência da dança como manifestação política e afetiva também ganha destaque no espetáculo Carvão, da Cia Sansacroma, em cartaz no Sesc Consolação, em São Paulo, entre os dias 10 e 13 de julho. Com direção de Gal Martins, a obra é um manifesto sobre o amor negro como gesto de resistência e prática de liberdade. Inspirada nos escritos de bell hooks, a coreografia transforma o carvão — símbolo do que resiste após o fogo — em metáfora da permanência dos afetos negros frente às violências coloniais. O espetáculo também dialoga com a ancestralidade e utiliza elementos como a água para tensionar e curar feridas históricas.

Com elencos diversos, múltiplas linguagens e dramaturgias sensíveis, a programação de dança em julho aponta para um campo artístico em expansão, que não apenas encanta pela beleza e técnica, mas que provoca, questiona e transforma. A cena da dança brasileira revela um país em movimento — entre o corpo e a memória, entre a dor e a celebração, entre a pele e a alma.

Isso pode te interessar

Música

Say Now quer reinventar a girl band britânica para a era do TikTok

Música

Em “Day and Night”, Carly Rae Jepsen troca a obsessão pelo hit pela liberdade do excesso

Artes

16ª edição da ArtRio se encerra com números vistosos

Exposições

Roxo vira território de encontro em exposição em São Paulo

“ROXO em TONS” reúne oito artistas contemporâneos do circuito de artes visuais

Newsletter Gratuita

Tenha o melhor da cultura na palma da sua mão. Assine a newsletter gratuita de Culturize-se. Todos os dias pela manhã na sua caixa de e-mail.