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"Vermiglio" expõe feridas do pós-guerra com poesia visual

Redação Culturize-se

Aclamado pela crítica internacional e vencedor de diversos prêmios em festivais ao redor do mundo, “Vermiglio – A Noiva da Montanha”, da cineasta italiana Maura Delpero, chega aos cinemas brasileiros no dia 10 de julho, com distribuição da Synapse Distribution.

Escolhido para representar a Itália no Oscar e indicado ao Globo de Ouro, “Vermiglio” fez sua estreia mundial no 81º Festival de Veneza, onde conquistou o Leão de Prata – Grande Prêmio do Júri, além de outros quatro prêmios. Desde então, já acumula 18 vitórias e 29 indicações em circuitos internacionais, além de ter recebido sete prêmios David di Donatello, o mais importante do cinema italiano.

O filme é uma coprodução entre Itália, Bélgica e França, com elenco formado por Tomaso Ragno, Roberta Rovelli, Martina Scrinzi e Giuseppe De Domenico. A trama acompanha a rotina de uma família que vive na remota vila alpina de Vermiglio, no norte da Itália, e tem suas estruturas abaladas pela chegada de Pietro (De Domenico), um soldado desertor da Segunda Guerra Mundial. Ao ser acolhido pela família de Cesare (Ragno), Pietro se apaixona por Lucia (Scrinzi), a filha mais velha, iniciando um relacionamento que irá expor tensões latentes e desafiar tradições enraizadas.

Maura Delpero constrói um retrato lírico e silencioso da Itália rural em 1944, num período de transição entre a devastação da guerra e o início de uma nova era. A diretora utiliza o pano de fundo histórico não como protagonista, mas como força invisível que molda as relações pessoais e familiares. A narrativa acompanha o ciclo das quatro estações, enquanto a paixão entre Lucia e Pietro, marcada por ingenuidade e desejo, ganha contornos trágicos diante das rígidas convenções sociais da época.

Com uma abordagem intimista, o filme se destaca por sua fotografia idílica, sua cadência contemplativa e a expressividade quase silenciosa de seus personagens. O roteiro, escrito pela própria Delpero, aposta em elipses e na força das imagens para construir um drama que se desdobra tanto no plano emocional quanto no simbólico. A diretora utiliza memórias e registros familiares como ponto de partida para criar um espelho entre o passado e os dilemas contemporâneos, ressaltando a persistência de padrões patriarcais e o custo emocional das expectativas sociais impostas às mulheres.

Foto: Divulgação

“Vermiglio” também se propõe como um ensaio sobre o fim de uma era. À medida que a guerra se encerra e os paradigmas sociais começam a ruir, o longa explora o colapso silencioso de um modelo familiar baseado na repressão e na rigidez moral. Entre perdas, lutos e pequenas subversões, o que emerge é uma ode melancólica à transformação – das pessoas, dos vínculos e do tempo.

Com humor sutil e um refinado senso estético, Maura Delpero entrega uma obra delicada e impactante, que reafirma o valor do cinema europeu em contar histórias universais com profundidade e sensibilidade.

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