Redação Culturize-se
Ao longo de mais de três décadas de trajetória, a artista plástica Teresa Viana construiu uma poética visual inconfundível, marcada pela intensidade da cor e pela fisicalidade da pintura. Nascida no Rio de Janeiro em 1960 e radicada em São Paulo desde 1992, Teresa é reconhecida por trabalhar com encáustica — uma técnica ancestral que mistura cera de abelha e tinta a óleo — de forma ousada e contemporânea. O resultado são obras tridimensionais, táteis e pulsantes, que parecem respirar diante do espectador.
Sua abordagem da pintura é mais sensorial do que racional. A tela não é apenas superfície: é corpo. Camadas espessas de tinta e cera se acumulam, criando relevos que chegam a cinco centímetros de profundidade, jogando com luz e sombra, despertando o tato imaginado e o impulso de aproximação. Sua paleta é deliberadamente provocadora: rosa chiclete, verde rançoso, vermelho escuro — cores viscosas, saturadas, que não pretendem ser harmoniosas, mas sim inquietantes.
Em vez de narrativas ou imagens reconhecíveis, Teresa aposta no gesto como motor do fazer artístico. Seu processo é instintivo, quase ritualístico, guiado pela escuta da própria matéria. O improviso — muitas vezes comparado ao jazz — rege suas decisões em tempo real, sem esboços ou projetos prévios. A artista não dá títulos às obras, preservando o enigma da imagem e estimulando a leitura livre por parte do espectador.

Formada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage entre 1985 e 1989, Teresa integrou a chamada “Geração 90” da arte brasileira, que resgatou a pintura em meio a um cenário dominado por discursos conceituais. Sua obra dialoga com nomes como Iberê Camargo, Dubuffet, Van Gogh e Tàpies, mas seu gesto é próprio: direto, pesado, estruturado — nunca performático.
Com exposições em instituições de prestígio, duas bolsas da Pollock-Krasner Foundation e passagem pelo ISCP em Nova York, Teresa Viana segue investigando os limites da pintura e expandindo sua dimensão sensorial e crítica.