Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Anna Muylaert narra a fuga de uma mulher vítima de violência doméstica em "A Melhor Mãe do Mundo"

Reinaldo Glioche

Depois de emocionar o público no Festival de Berlim e acumular prêmios em festivais da França, México e Brasil, “A Melhor Mãe do Mundo”, novo filme da cineasta Anna Muylaert, prepara sua estreia oficial nos cinemas brasileiros em 7 de agosto. Com Shirley Cruz no papel principal, o longa conta a história de Gal, uma catadora de recicláveis que luta para romper o ciclo de violência doméstica e dar um futuro digno a seus dois filhos, Rihanna (Rihanna Barbosa) e Benin (Benin Ayo). O filme vem sendo aclamado pela crítica pela força de sua narrativa e pelo modo sensível com que conecta denúncia social e experiência íntima.

Na trama, Gal decide fugir do marido agressor, Leandro (Seu Jorge), em uma tentativa desesperada de salvar seus filhos de um cotidiano de opressão. O que começa como uma fuga marcada pelo medo transforma-se, aos poucos, em uma jornada de resistência e coragem pelas ruas de São Paulo. Movida pelo instinto materno e pela necessidade de preservar a infância dos filhos, Gal se revela uma mulher comum que carrega, ao mesmo tempo, vulnerabilidade e força imensa. Para Anna Muylaert, roteirista e diretora do longa, Gal é a personagem mais forte de sua carreira. “Ela é a mais madura, com mais autoestima e fé. Acho que a Gal é a melhor mãe do mundo”, afirma.

O filme marca também um momento especial na carreira de Shirley Cruz, que não só entrega uma performance elogiada internacionalmente, mas mergulhou profundamente na construção da personagem. Durante o processo, a atriz conviveu com diversas catadoras reais para compor a personagem. Essa vivência foi decisiva: “Essa troca me inundou de amor e me trouxe a revolta como uma das principais ferramentas para esse trabalho. Foi um divisor de águas”, disse Shirley.

Foto: Divulgação

Além das presenças marcantes de Shirley Cruz e Seu Jorge, “A Melhor Mãe do Mundo” traz ainda outros nomes de destaque, como a cantora Luedji Luna e o rapper Dexter, que expandem suas atuações para além da música. O núcleo infantil, composto por Rihanna Barbosa e Benin Ayo — que atuam com seus próprios nomes —, também chama atenção pelo carisma e autenticidade. Para Muylaert, a decisão de usarem seus nomes foi uma forma de reafirmar o orgulho e a identidade dessas crianças no filme.

A produção, uma coprodução da +Galeria e da Biônica Filmes, já conquistou prêmios importantes. No Festival Internacional de Guadalajara, no México, foram três troféus, incluindo Melhor Interpretação (Shirley Cruz) e Melhor Roteiro (Anna Muylaert). No Brasil, saiu consagrado do CINE PE com cinco prêmios, incluindo Melhor Filme e Melhor Atriz.

Como extensão da proposta do filme, uma série documental com oito episódios foi produzida paralelamente, dando voz a catadoras reais cujas histórias se entrelaçam com a de Gal. A iniciativa reforça o compromisso da equipe com o protagonismo de mulheres invisibilizadas pelo cotidiano urbano.

Isso pode te interessar

Play

Quilty quer redefinir como filmes são escolhidos e financiados

Arquitetura & Urbanismo

Primeira Bienal brasileira aposta em identidade e contexto para repensar o espaço construído

Reportagens

Comemorações dos 50 anos da Funarte fortalecem a Cultura do Brasil

Cinema

Aos 100 anos, Odeon representa resistência do cinema de rua no Rio

Newsletter Gratuita

Tenha o melhor da cultura na palma da sua mão. Assine a newsletter gratuita de Culturize-se. Todos os dias pela manhã na sua caixa de e-mail.